quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

...

Cada vez que o sofrimento esbarra o nosso caminho, pergutamos porque somos seres capazes de investigar o sentido das coisas...
Nossa capacidade cognitiva, o que nis difere de todas as outras criaturas é que nos dá condições de refletir sobre o que nos aflge.
Refletir sobre o sofrimento é essencialmente refletir sobre os limites, isto porque tudo que nos limita, de alguma forma, nos expõe a um contexto e angústias, ansiedades e questionamentos.
É o nosso específico humano querendo descobrir o sentido do que se passa em nossa vida. Ao tocar a dura realidade dos sofrimentos, ao formular esta pergunta-chave, ao investigar o porque, agente acaba encontrando uma multiplicidade de respostas, ou não...
Sofremos porque não podemoes tudo o que queremos. Sofremos porque temos um corpo que está condicionado aos limites de sua estrutura e possibilidades. Sofremos porque somos afetados constantemente por situações que nos desinstalam e nos entristecem. Sofremos porque não conseguimos embarcar a totalidade dos fatos, ou porque nem sempre podemos compreendê-los.
Sofremos porque não encontramos as respostas que necessitamos, ou porque nos deparamos com respostas que nos assustam.
Sofremos porque não somos capazes e fazer tudo sozinhos; somos dependentes dos outros e, por mais que queiramos, não teremos como dar conta de tudo sem que os outros interfiram. Sofremos porque carecemos, porque somos incompletos, porque somos inacabados.
Sofremos porque nem sempre podemos mudar a ordem das coisas, a sequencia dos acontecimentos. Sofremos porque não sabemos dizer não. Sofremos porque não sabemos dizer sim. Sofremos porque dissemos sim em ocasiões em que deveríamos ter dito não. Sofremos porque dissemos não em ocasiões que deveríamos ter dito sim.
Sofremos porque nos apegamos aos outros, e por vezes os afastamentos são inevitáveis. Sofremos porque nos traímos, nos abandonamos. Sofremos porque somos INJUSTAMENTE JULGADOS, ofendidos, caluniados. Sofremos porque experimentamos a morte em sua porção diária. Sofremos porque vemos violência ao nosso lado e em nós. Enfim, sofremos por uma infinidade de coisas e não temos como mudar o fato de sermos naturalmente afetados pelos desajustes da vida...Tudo bem, mas se não podemos evitar o sofrimento, o que podemos fazer para aprender a lidar com isso...?
Como sofrer...? É diante dessa pergunta que procuramos buscar um novo caminho. Se não temos como mudar a vida, então precisamos descobrir um jeito de sermos transformados por ela.
Se eu não posso mudar o fato de ter que sofrer, então posso encontrar um modo de como sofrer. É mais uma vez uma proposta de mudança de foco...muitos sofrimentos que nos atingem são otimizados por nossa maneira de lidar com eles. A matéria que nos faz sofrer nem sempre é tão grave. O problema é a forma de lidarmos com ela. O revestimentos que damos aos nossos problemas torna-se maior do que o próprio problema.
Muito facilmente fazemos tempestade em copos e água, porque nos falta sabedoria na lida com os acontecimentos que estimulam os nossos limites. Mesmo que seja natural, o sofrimento ainda é enfrentado como se fosse um inimigo.
É claro que não queremos sofrer. A resposta humana diante dos desafios da vida é sempre de proteção. O ser humano vive para proteger-se dos limites que tem, mas não podemos fugir desta verdade - eles são parte integrante de nossa condição e não podemos mudar isso.
Mas, diante de tudo o que não podemos, há sempre o que podemos aprender e compreender. Talvez seja este o movimento possível diante da dor. Encontrar nela uma resposta, ainda que silenciosa, que nos sugira e proporcione um aprendizado.
A sabedoria nos ensina que diante de uma vida que sofre, as perguntas podem parecer inoportunas. Uma atitude vale muito mais. Apressamo-nos muit em fazer perguntas no momento da dor. Por que isso nos aconteceu? Por que estamos passando por isso? Por que pessoas boas sofrem tanto?
O grande risco é que nossa multiplicidade de perguntas não permita o nascimento de sabedorias, afinal, a sabedoria costuma acontecer somente apartir da experiência da contemplação.
Temos aprendido, a duras penas, que o bom da vida não está em chegar às respostas, mas sim em aprender a conviver com as perguntas. Nem sempre nos tornamos aliados desta forma de sabedoria;
Insistimos muito em querer respostas, e com isso perdemos a mística das boas perguntas. Há perguntas que podem nos alimentar de maneira positiva durante uma vida inteira.
Nem sempre as respostas possuem este poder, pois caem no esquecimento com muita facilidade. As perguntas não! Elas duram o tempo da busca. E há buscas que não sabem no tempo. Elas possuem o dom de nos alimentar por toda nossa história.
São perguntas que nos seguram na dinâmica da vida. Não são perguntas que se alimentam de respostas, mas perguntas que se alimentam de esperanças! Elas se tranformam em motivos, que podem ser sempre novos, porque um motivo vai alimentando outro.
Às vezes encontramos histórias de homens e mulheres refugiados em seus eremitérios, lugares reservados à solidão, distantes das exigências da vida contemporânea. Pessoas que abandonaram o mundo e sua fabricação de respostas rápidas, transitórias, para se refugiarem com suas perguntas silenciosas.
Eles não querem respostas rápidas, produzidas em série. Eles querem as perguntas que se transformam em motivos. Eles querem as perguntas artesanais, aquelas que são contruídas aos poucos, na calma que nutre a sabedoria.
Eles não temem o que ainda não sabem, mas descobrem neste lugar da vida a beleza da contemplação. O não saber não é uma prisão, ao contrário, é uma fonte de liberdade.
A diferença está na forma como olham para o que ainda não sabem. Ao invés de se alimentarem de desejos de responder, eles mergulham na pergunta que merece calma e nelas permanecem. Eles descobrem a mística do questionamento ansiedade de chegar à resposta. Descobrem no processo do não saber um jeito bonito de permanecerem.
Muitos sofrimentos nascem de nossa incapacidade de permanecermos na pergunta. O grande problema é quando a insistência da pergunta nos incapacita para descobrir a resposta. É neste momento que corremos o risco de mergulhar numa modalidade de sofrimento que é ansolutamente infértil...

300 dias...

sábado, 12 de novembro de 2011

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Eu não posso mais iluminar sua escuridão
Todas as minhas fotos parecem desbotar para o preto e branco
Estou ficando cansado e o tempo fica impassível diante de mim
Congelado aqui na escada da minha vida
Tarde demais para me salvar da queda
Eu me arrisquei e mudei seu modo de vida
Mas você interpretou mal minha intenção quando eu te encontrei
Fechou a porta e me deixou cego pela luz
Não deixe o sol se pôr em mim
Embora eu procure a mim mesmo, é sempre outro que eu vejo
Eu simplesmente permiti que um fragmento de sua vida vagueie livre
Mas perder tudo é como o sol se pôr em mim

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Rosas"

Eu andei distâncias
Eu paguei minhas dívidas e tentei experimentar o que eu pensei
Saber ser real, não fiz acusações
Eu estive em vários lugares, eu vi as marés,
Eu comprei um livro de regras para cada moeda que eu pude roubar
E então eu passei a olhar para as estrelas, quando elas ainda não haviam nascido
E conseqüentemente, chorei em minhas antigas feridas
E na máscara que não me servia mais

E quando eu estou chorando sozinho
...quando eu estou frio como uma pedra morrendo

Cultive para mim um jardim de rosas
Pinte as cores do céu e da chuva
Ensine-me a falar com suas vozes
Mostre-me o caminho e eu tentarei de novo

Eu ouvi os rumores, provoquei incêndios
Semeei várias peças sórdidas para me lembrar do que eu preciso,
Temi os demônios que eu liberei
Eu tentei ao máximo me proteger,
Mas a cura parece não acontecer quando você esconde as origens
Então me deparei com um curandeiro,
E ele me mostrou o que eu havia perdido
Caso eu tivesse adiado isso aconteceria por minha própria conta,
E com minha própria voz cheia de desprezo

Agora sm você as coisas parecem ser um pouco mais complicadas...
E a vida tem o rosto de um jogo mórbido
Com você não parecia tão impossível...mas você...
Bom...agora tudo parece se encaixar...


254 dias...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

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[...] eu vou proteger a minha honra sem medir esforços, mesmo que isso custe a minha vida...eu não tenho que provar o que eu fiz naqueles tempos, para onde fui, se eu matei e quantos matei, porque eu parti e porque eu voltei...[...]

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Curativos...

Hoje, acordei sentindo uma grande dor no peito; sentei-me ao pé da cama, coloquei minha mão sobre meu peito, e perguntei ao meu coração:

- O que você tem?Porque está tão inquieto dentro de mim?
Você está doente?

Fiquei uns minutos em silêncio e aí foi minha alma a começar a ficar inquieta. Perguntei a ela:

- O que tens? Porque se atormenta dentro de mim?

Minha alma disse:

- Estou assim porque você está assim; você me faz perguntas, mas não tenho as respostas e sei que isso o faz infeliz. Você se sente tão pequeno, e isso me faz pequeno também. Você queria ser diferentee eu fico triste por você. Você está tão só, e eu me sinto sem você. Mais uma vez tornei a ficar em silêncio. E foi aí que meu coração
meio confuso me respondeu:

- Estou tão triste. Sinto-me tão pequeno. Estou magoado com você!

Fiquei sem jeito e perguntei:

- O que foi que eu te fiz?

Ele respondeu:

Você sofre tanto com as pessoas; preocupa-se com elas, é atencioso, procura ser prestativo e na maioria das vezes, sempre se decepciona. Você ama e depois sofre
e fala que a culpa é minha. Você espera por algo que não vem e fica triste. Aí você chora e dói em mim. Preciso de curativos. Curativos bons.

Perguntei ao meu coração:

- Como assim, bons?

Ele respondeu:

Curativos que estanquem essa sua tristeza, essa sua mágoa,
essa sua solidão. Que estejam com você nos dias frios e nas noites vazias, nos dias de tempestade
e nas horas que você se sentir tão só. Que eles sejam tão grandes que possam envolver seu corpo em um abraço cheio de ternura e que você se sinta seguro e amparado.
Curativos que te façam sentir o quanto você é especial e amado, mesmo que você nunca tenha sentido esse amor, nem de seus próprios pais.
Preciso de bons curativos, que não sejam eternos, afinal nada é para sempre, mas, que não sejam descartáveis. Curativos que absorvam esse sofrimento, essa dor. essa ferida que não se vê, apenas se sente.
Que sejam fortes, e a prova d’água, para que não se estraguem com suas lágrimas, que sejam macios, para poder te fazer carinho nos dias em que você se sentir carente. Curativos que, acima de tudo nunca o decepcionem,
prometendo coisas que não cumpram.
Curativos companheiros e sinceros, que se importem realmente com você. Não quero pena, quero amor. Amor de verdade. Preciso que você também se ame e prometa que vai procurar cuidar mais de mim, sou parte de você e se você sofre eu sofro também.
Queria poder colocar você dentro de mim, secar suas lágrimas, ninar você. Dizer-te que tudo vai passar e te proteger das decepções da sua vida, afinal você já sofreu tanto que não sei como ainda consigo bater forte em seu peito!

Você é especial, pena ninguém perceber isso...


204 dias "sem você".

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Uma história

Escreva a sua história na areia da praia,
Para que as ondas a levem através dos 7 mares;
Ate tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
Cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na
Manha seguinte pelos garis.

Abra o peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.

Defenda a sua palavra,
A vida nao vale nada se você nao tem uma boa história pra contar.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

As vezes...

A vida é assim...
Às vezes nada acontece como nós queremos como nós desejamos
Às vezes esperamos algo... Mas nunca vem
Às vezes amamos alguém
Às vezes alguém nos ama
Mas não somos correspondidos e não correspondemos à altura
Às vezes temos a oportunidade de sermos felizes, mas não conseguimos
Às vezes a felicidade esta onde nós menos esperamos
Às vezes está em nossa frente diante dos nossos olhos
Mas por algum motivo não conseguimos enxergar
Quando conseguimos enxergar, já é tarde...
Perdemos a oportunidade que não teremos mais
Às vezes sentimos culpados por não termos enxergado o que esta diante de nossos olhos
Às vezes não nos perdoamos
Por medo
Por não ter tentado
Por não ter acreditado
Por não ter dado uma chance
E acabamos perdendo o que poderia ser a felicidade...
Às vezes olhamos para trás e sentimos que poderíamos ter arriscado
E mesmo com o medo
Ter tentado
Ter acreditado
Ter dado uma chance
Às vezes temos que arriscar para não cometer-mos os mesmos erros do passado
Às vezes temos que olhar a nossa volta
Procurar o que nos faz feliz, o que nos deixa feliz
O que nos faz bem, o que nos faz sentir bem
Aproveitar as oportunidades

A vida é assim...


150 dias sem você...

domingo, 24 de julho de 2011

E o tempo passou...

Como o tempo passou...
Todos os problemas que tivemos
E todas aqueles dias que passamos acordados gaswtando nossas poucas horas de sono...
Será que tudo isso foi em vão
Todas as "promessas" que fizemos
Uma à uma elas desaparecem do mesmo jeito...

De todas as coisas que eu ainda lembro...
O verão nunca mais vai parecer o mesmo
Os dias passam e o tempo parece voar
Mas as memórias permanecem
No meio de Janeiro
Nós ainda "brincávamos na chuva"
Nada mais a perder além de tudo que ganhamos...
[...]
Sabe...refletindo agora sobre como as coisas poderiam ter sido...
Valeu a pena no final [...]

Agora tudo "parece tão claro"
Não sobrou nada à temer.
...Então nós fizemos nosso caminho encontrando o que era "real"
[...] Agora os dias são tão longos
Que o verão está passando
*Por fim nós alcançamos alguma coisa que já se foi*
...

Nós sabíamos que um de nós teria que "deixar essa cidade"
Mas nós nunca sabíamos quando mas sabiamos como...
Nós terminaríamos aqui da maneira que somos!
Sim...eu nunca soube de nada...[...]

"Sabe, as vezes agente escuta de umas pessoas que nós estamos deixando para escanteio o amor próprio mas a verdade é que quem procura amar demais a si próprio acaba por esquecer de dividir esse amor com aqueles que também o merecem..."


Menegucci C. R.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

...

Vou deixar com "vocês" uma história apenas para ressaltar um pouco valores de uma amizade verdadeira...e em homenagem a uma amiga que a anos me atura, me ajuda, fica ao meu lado em qualquer situação e que se fosse preciso faria por mim o mesmo que o garotinho da história fez...para vocês e em especial para ti minha amiga e irmã!

O VALOR DA AMIZADE

Numa aldeia vietnamita, um orfanato dirigido por um grupo de missionários
foi atingido por um bombardeio. Os missionários e duas crianças tiveram
morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas, uma
menina de oito anos, considerada em pior estado. Era necessário chamar
ajuda por uma rádio e ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira da
Marinha dos EUA chegaram ao local.
Teriam que agir rapidamente, senão a menina morreria devido aos
traumatismos e à perda de sangue. Era urgente fazer uma transfusão, mas
como? Após alguns testes rápidos, puderam perceber que ninguém ali possuía
o sangue preciso. Reuniram então as crianças e entre gesticulações,
arranhadas no idioma, tentavam explicar o que estava acontecendo e que
precisariam de um voluntário para doar o sangue. Depois de um silêncio
sepulcral, viu-se um braço magrinho levantar-se timidamente. Era um menino
chamado Heng. Ele foi preparado às pressas ao lado da menina agonizante e
espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele se mantinha quietinho e com o olhar
fixo no teto. Passado algum momento, ele deixou escapar um soluço e tapou
o rosto com a mão que estava livre. O médico lhe perguntou se estava doendo
e ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas.
O médico ficou preocupado e voltou a lhe perguntar, e novamente ele negou.
Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso mas ininterrupto. Era
evidente que alguma coisas estava errada.
Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita vinda de outra aldeia. O
médico pediu então que ela procurasse saber o que estava acontecendo com
Heng. Com a voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele e
explicando algumas coisas, e o rostinho do menino foi se aliviando... minutos depois ele estava novamente tranqüilo.
A enfermeira então explicou aos americanos: "Ele pensou que ia morrer; não
tinha entendido direito o que vocês disseram e estava achando que ia ter
que dar todo o seu sangue para a menina não morrer."
O médico se aproximou dele e com a ajuda da enfermeira perguntou:
- "Mas se era assim, porque então você se ofereceu a doar seu sangue?"
E o menino respondeu simplesmente:
- "Ela é minha amiga."

domingo, 26 de junho de 2011

...de volta novamente.

A verdade por trás de cada coisa,
Atrás de cada um reside em algum lugar.
Estou tentando te levar lentamente e parece que você não se importa,
Sobre as pequenas coisas que significam muito,
Você vai me deixar sozinho enquanto você está perdendo o contato,
E todo lugar que vou não é claro,
Eu não posso respirar.
Porque eu odeio quando,
O medo se ajusta dentro de mim
E eu me pergunto quando, você estará de volta novamente.
É como dissemos há pouco, sim.
Você pode alternar os sapatos que você usa mas ainda não vai mudá-lo,
Finja que você me conhece,
Mas "você está tão inconsciente".
Eu me lembro quando a "queda" começou
E eu me pergunto se "você vai ser a mesma" novamente.
"Eu dei tudo, você queria mais."


Eu só tenho a mim mesmo para culpar.


E eu me pergunto se você sentirá o mesmo novamente....


118 dias sem você...^^,

terça-feira, 21 de junho de 2011

Curto

O nunca está terminado. É uma teia que vamos tecendo a partir da superação dos limites: eu respeito o limite do outro e estabeleço com ele o pacto do cuidado, ao mesmo tempo em que ambos avançamos. Não posso negar o que o outro é e nem encarar o não saber como limite e por fim toda estranheza cai por terra se dividimos nossas necessidades...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

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Ficarei contigo nas noites de inverno
Acalmando os seus medos e incertezas
...Nos sorrisos que adormecem
O cansaço dos dias pequenos

Irei te fazer compania no escuro
Quando os seus passos incertos,
Ensonados
Pedem por um copo de leite
Que está para lá do seu quarto

Eu sou "aquele seu amigo invisível"
Que como os sonhos de sua imaginação
Inventa e escreve
Trazendo a ti a paz e o consolo
De um novo amanhecer...

92 dias sem você.

obs: ando sem criatividade para títulos como ja devem ter percebido...


terça-feira, 24 de maio de 2011

[...]

Você não pode sentir o calor até você deixar a sua mão sobre a chama...
Você tem que cruzar a linha apenas para lembrar onde ela se estabelece!
Você não vai saber o seu valor agora, até que você seja abatido...
E você não vai encontrar a batida até perder-se nela
É por isso que eu não vou voltar atrás
Eu não vou correr e me esconder
Porque estas são as coisas que não posso negar...[...]
Eu estou passando por cima de você como um satélite
Então, me pegue se eu cair
É por isso que você se apega a seus planos de jogo...vivendo uma "vida de festas"
Mas à noite, estamos transpirando a luz de velas
Nós somos os órfãos dos sonhos americanos
Brilhe sua luz em mim...você pode? você consegue?
Você não pode encher seu copo até esvaziar sua casa iluminada
Você não consegue entender o que está à frente
Se você não entender tudo que passou...
Você nunca vai aprender a voar
Até que você esteja parada diante de um precipício
E você não possa realmente amar até desistir disso!!!
[...]
Ela me disse que ela nunca iria enfrentar o mundo outra vez...aquele mundo de sonhos que supostamente vivia...
Então eu ofereço a minha mão!
Vamos sair furtivamente enquanto eles dormem
E navegar pela noite.
Vamos nos confessar e recomeçar sobre o resto de nossas vidas.
Quando estivermos ido, "nós vamos ter ido".
Longe da vista, longe da mente.
Não é tarde demais,
Nós temos o resto de nossas vidas.
Então...nós não voltaremos para trás
Nós não vamos mais ter que correr e nos esconder
Sim, porque estas são as coisas que não podemos negar
Eu estou passando por cima de você como um SATÉLITE
Então, me pegue se ao ACASO eu cair
Brilhe sua luz em mim!
Essa é uma vida que você não pode negar agora...eu vou esperar, e como um satélite vou estar sempre acima...


84 dias sem você...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

...

Há de ouvir o que na solidão falei, o que meu coração sentiu. Há de ter alguém aqui! Se me ouvir será que podes me falar só para tranqüilizar meu peito?

78 dias sem você....

segunda-feira, 2 de maio de 2011

...

Nem só de amor se fazem as relações entre as pessoas. A vida por vezes mostra-nos o lado amargo da relação, que guia a nossa vida. Escolhemos, voltamos a escolher, pensamos, paramos e recomeçamos, sem pensar que o amor pode ser uma utopia. A paixão (segundo os entendidos), dura seis meses, no ponto de vista técnico. A fidelidade é uma ilusão com que nos temos de nos contentar, para não abrir a porta do fim da construção duma “casa”, que nos deu tanto trabalho e tanta emoção. Não queremos acreditar no inevitável, preferimos a angustia e a calmaria, que com o tempo se revela assassina. O não fazer nada, o não acreditar, o caminho mais fácil no momento, mostra-se desastroso no futuro, pondo a nu a inevitabilidade dum fim anunciado. A questão que se põe, é, onde é que têm lugar os duros e verdadeiros audazes, que não querem uma vida de perfeita hipocrisia, optando antes, por revolucionar a sua alma e buscar um novo caminho marítimo para o verdadeiro amor. Qual Fénix renascida, que nos mostra um novo trilho, e outras ideias e pessoas. Os beijos tão necessários e o amor arrebatador é para depois, pois urge reciclar a nossa vida. Inicio. A traição é paga com sangue, pois de novas guerras se faz uma mudança. Uma mudança para um novo amor e uma nova etapa na vida dos reais, audazes e fieis, apaixonados…



62 dias sem você...

domingo, 1 de maio de 2011

Come, Destiny...

I break all tears in you for no time
A cure will be always mine
When destiny is now
On silent wings I ride to return
Your bleeding heart must burn
To celebrate our faults
I swear I will come back someday
Bring all the greys away
Oblivion arise


...Come, destiny
Come, solitude...

61 days without you...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Estar em paz...

Morrer deve ser muito mau. Morrer, sem contar com isso, deve ser rápido demais para quem vai, demasiado repentino para quem fica. Morrer por dentro faz de nós, zumbis. Morrer por fora faz-nos ficar invisíveis. Morrer, acho que é sempre mau, mau demais para quem morre, péssimo para quem é vivo. A maior brutalidade associada à morte é a doença, que nos vai definhando, anulando e reduzindo. Desgasta e emagrece, tira, suga, mata tecidos e faz parar os órgãos. Não sinto que a morte me espreite, mas sinto o pesar dos outros que perdem quem amam. Sinto cada vez mais a angústia, a ferida que se cria com o desaparecimento de alguém. Duro é, quando o cancro mata. Começa por tirar o sorriso, a alegria diária, é como se fossemos a marchar para a guerra da morte certa, na frente da batalha, onde as bombas rebentam sem dó nem piedade. Quando nos atinge, parece que só nos apetece chorar, berrar, perguntar o porquê. Depois o silêncio. O silêncio é tão frio, tão forte. O gosto amargo e seco que nos seca a garganta e nos arrefece as emoções. O cancro, mata devagar, fica ali teimoso, sem querer sair, à vista ou escondido numa táctica de guerrilha, camuflado, deixando minas por todo o corpo. Quando vencemos uma batalha, sabemos isso mesmo, que é uma batalha. Fica a plena convicção de que nunca ganhamos a guerra. E que guerra! Que batalhas! Que prova tão dura e longa a que somos sujeitos. É o teste de uma vida, não só para o portador da doença mas para toda a família. Sempre que se perde a guerra, a fatalidade espalha-se por todos, deixando as feridas marcadas e vincadas, cicatrizes que jamais secarão, que o nosso coração carregará para sempre. Cansados, exaustos, olhamos para o céu, e apetece-nos morrer também. Sem perceber porque é que hoje chove tanto dentro de nós, lembramos os dias de risos ensolarados, e apoiando-nos mutuamente, vamos reaprendendo a andar, devagarinho, todos unidos, porque é preciso continuar. Quando olhamos para trás, relembramos os que ficaram na guerra, o sorriso de antes nunca será o mesmo. De alma na mão, quase de rastos erguemo-nos pelos mais novos que precisam de nós para sorrir, e pedimos a Deus, que a guerra nunca lhes chegue, que possam rir sempre, recordando os que vão ficando para trás, pelas imensas coisas boas. Continuamos…mas nunca continuamos sós.

57 dias sem você...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um só sangue...


Nas chamas distantes
Onde as colinas sempre queimam
Aos pés dos nossos heróis
Nós nos esforçamos para aprender
Mas a lição é perdida lá
Na fumaça e na lama
Em que somos uma só carne, uma só respiração, uma só vida, um só sangue.

Eu espero perto do rio
que correu vermelho de vergonha
Eu estive nos campos de matança
Onde a morte não tinha nome
Eu estive com meus irmãos
E esperei pela enchente
E nós éramos uma só carne, uma só respiração, ma só vida, um só sangue.

Então eu caí no chão
Provei cinzas na minha língua
Pensando que somente os mortos
São sempre jovens

Havia paz no crepúsculo
Por um momento ou mais
Havia um mundo sem perigos
Um mundo sem guerra
E eu tiraria todo o seu sofrimento,
Se isso fizesse algum bem
Porque somos uma só carne, uma só respiração, uma só vida, um só sangue.


terça-feira, 29 de março de 2011

...

No brilho do crepúsculo eu vejo
A garota de olhos grandes "chorando na chuva"
Quando nós nos beijamos...despedimos e nos separaramos
Eu sabia que nunca iria encontra-la novamente...
O amor é como uma brasa morrendo
Apenas as memórias permanecem
Através dos tempos eu me lembro
Da garota de olhos grandes "chorando na chuva"
Algum dia, quando nos encontrarmos...
Vamos passear de mãos dadas novamente
Em uma terra que não conhece a despedida


terça-feira, 22 de março de 2011

Olá...

Olá ao mundo. Olá a todos. Queria saber se estão bem? Sim? Ainda bem. Pergunto despreocupadamente por todos e por ninguém, à espera de respostas bem-dispostas e carregadas de energia para ver se recarrego a minha “low energie”. Por vezes sinto a minha intolerância ao mundo, às pessoas, ao relacionamento inter-pessoal, a mim próprio, e, cultivo mais do frequentemente, a semente da amizade, para esconder o estado catatónico de hipnose relacional em que me encontro. Também é verdade que o tempo do mundo à muito se esgotou para todos, passando toda a gente a correr a dizer “olá mundo”. A parte que menos tem piada é quando fazemos a auto-análise do comportamento relacional de amizades ou familiar e concluímos a perda de qualidade dessa mesma relação, ou porque os tempos bons já lá vão, ou pior, porque estamos absorvidos pelo molusco “pólvico” da sociedade e da necessidade de acumular o bolor que está no dinheiro e consequentemente também o próprio dinheiro. Bem, modéstia à parte, ainda tenho a capacidade de no fim de um dia pensar nas imperfeições que me manipulam o comportamento e vou tentando limar arestas, passando à prática e promovendo contactos profícuos de amizade. Não sei se bem, se mal, há coisas que vão mudando, e no outro dia dei-me conta da perda da minha famosa ginástica mental (famosa para mim) em termos matemáticos, e toca de tentar a todo custo recuperar os tempos perdidos, e toca de exercitar a mente, e toca de absorver mais conhecimento e queimar pestanas e cansar neurónios (ou as suas ligações). Outra coisa que faço pior é a recuperação pós-desporto, em que os meus amigos do dia a seguir são, não necessariamente por esta ordem, o Brufen, o Aspegic e o Reumongel. Lá está a substituição de amigos de carne viva por amigos químicos. Isso não é bom. Depois vem a miserável, e que miserável, falta de originalidade, criatividade e aquela tirada “coelho da cartola” que são cada vez menos frequentes. Triste. Então o slogan pode passar a ser muito bem, “resolve a inércia da tua alma para que treines o espírito e a mente em busca de melhores automatismos, e, não te esqueças de dizer olá ao mundo todos os dias”. Podia ser sim senhor.


segunda-feira, 21 de março de 2011

La différence pt2

Diferenças. Ser diferente em alguma coisa é ser igual a todos. Às vezes a diferença irrita-me e sobressalta-me, de tal forma que um vaso azul é diferente de um vaso amarelo, e isso, perturba-me. Perturba-me também o fato de eu próprio ser pouco tolerante às diferenças entre nós. Por norma escolhemos os mais iguais, os que apontam aos pontos semelhantes de nós mesmos, pelo menos na forma de ser, no pensamento, na atuação. Os que nos são quase iguais remam da mesma forma que nós, identificando-se pelo cheiro, pela postura, pelo mesmo dialeto, não sendo raras as vezes, em que nos isolamos em pequenos bandos para definir estratégias concertadas de sobrevivência e modos de viver. Os meus semelhantes são por norma pessoas de caráter forte e definido, retos, de nariz bem levantado, honestos, leais, justos e amigo de todos os outros semelhantes da alcateia. Os diferentes, são tão diferentes, que não podem coabitar connosco, passando pelo lado de fora da nossa matilha, sofrendo cedo ou tarde, uma exclusão própria, voluntaria ou não, do nosso círculo. A sociedade divide-se em pequenos grupos, por vezes apenas familiares (lá está o cheiro), por vezes com interesses comuns (até interesses incomuns), às vezes por obrigações. De fato o Homem, ser habituado a viver em sociedade, sofre cada vez mais da doença exclusão, definha com a solidão e apodrece com a falta do afeto e calor de outros humanos. A exclusão é descrita na bíblia como o demónio, a solidão é o inferno, a frieza é o ambiente inóspito que se gera à nossa volta. A capacidade de excluir, de desprezar, é uma das armas mais evoluídas construída pelos homens, pelo seu requinte de malvadez inerente a uma estupidez quase inata e natural. Lamento ter alguns defeitos que não consigo eliminar, lamento a perturbação da minha intolerância pelo diferente, pelo oposto, por não gostar nem aceitar os que não são do meu cheiro. Lamento. Luto contra a minha mais reles herança genética de gerações e gerações, e palavra, que tento eliminar não os diferentes, mas a minha diferença. Amanhã vou conseguir tolerar a diferença aproximando as gentes, cultivando a capacidade em aprender com o outro, respeitando as ideias do outro, como eu, diferente.



quinta-feira, 17 de março de 2011

Opção

Podia ter optado por te beijar, por te tocar, por desatar a paixão e soltar-me em ti. Podia ter voltado imprevisto e ter ficado por teimosia, repassar onde já tinha passado só para ver se te via, se te chamava a atenção. Queria o destino tivesse escolhido a tua boca pelos meus olhos, que raramente te viam mas que conheciam o misterioso sabor a hortelã fresca que também cheirava a manhã fresca de primavera a estrear. Por ora, queria que as horas pudessem voltar ao momento em que olhei os teus princípios e optei por ficar, por te falar, por te prender a mim como quem prende um furacão. Amarre-se o coração por uma opção que não é de um vida, mas de uma paixão, maior que a própria razão, situação ou opção. Hoje queria que os astros me tornassem a virar de página, a mudar o vento, me prendessem de contra as estrelas e luas, tirando-me a opção de ficar à tua beira. Li, que tenho a arbitrariedade de decidir, de julgar as minhas decisões, de me juntar a ti, mesmo que não queira. Que o tempo me leve se não te amo, que me rasgue o céu, que me atire da terra se não sou eu quem te quero acima de tudo o que existe, que a paz de mim se transforme em alma por ti. Não posso em consciência responder por mim, pela vontade, pela mentira em que a minha opção se tornou, por ter ido por ali. Mesmo que a vida mude, não quero ser mais uns olhos sem ti, sem a tua boca, sem tudo o que está à volta disso, e por isso, opto por ti, por mim, porque sim, por tudo o que está em ti. Opto porque posso, porque quero, porque posso lá chegar e te amar.


17 dias sem você...




um breve conto

terça-feira, 15 de março de 2011

vida em alguns segundos.

Terrível. A rigidez que se apodera de nós perante a adversidade, o medo, a apatia provocada pelo desconhecido. Muitas vezes o empurrão quase mortal obriga ao salto, à corrida, à prova obrigatória que não queríamos inicialmente traçar, mas que nos foi imposta pela necessidade de sobrevivência. Por vezes questiono-me se vale a pena esta batalha inconsequente em que me meto todos os dias, sujeito a levar um tiro no meio do peito ou pior ainda, no rabo. Todo o santo dia é dia de dificuldade, de constantes avanços e recuos, de dúvidas, de corridas loucas sem direcção, nas quais raramente fico bem classificado. Nem sei porque não paro e desisto. Mas para que é que continuo nesta parvalheira desenfreada que nunca me leva a lado nenhum? Não digo que morresse, mas mudava de identidade, e começava tudo de novo, com ganas, como se tivesse 18, como se fosse o centro do mundo, onde ninguém me conhece, quando ninguém me pudesse parar. As cidades grandes têm essa vantagem, de começar quantas vezes queres, onde queres, onde tens a vantagem de chegar a lugares onde já estiveste, mas que ninguém te reconhece. Podes ser quem quiseres, vestires o que gostares, vaguear, mudar, sentir o vento da liberdade. Ou não? Será ilusão? Poderei antes viver num meio pequeno, onde trabalhe para o povo, em pequenas tarefas, que sejam o suficiente para sobreviver pelo vinho, pelo pão, pelos dias um a um, devagar. O que mais custa, é dizer aos pais que queremos ser únicos e diferentes, e mudar tudo num segundo, por um segundo, por mim e por ti, por nós, pelo mundo, pela vontade de gritar e de sentir a água fresca sempre que nos apetecer. Eles nunca aceitam e ficam apavorados com o nosso fracasso, com a nossa irracionalidade, com o desrespeito dos costumes e regras. Nem sei bem o que fazer, mas apetecia-me mudar tudo, baralhar e dar de novo, sem pensar em consequências ou na vida. Mudar pelo amor ao risco, à paixão de mudar, dar o peito às balas, e no fim, viver a vida num segundo…




segunda-feira, 14 de março de 2011

Noites Escuras

Percorri o mundo pelo dia. Passava horas com medo da noite. Ficava com medo que o escuro me cobrisse e me levasse para longe dos meus pais, dos meus irmãos, para longe de mim. Encontrava-me sempre coberto pelos cobertores, refugiado, ironicamente no escuro, do escuro. Era um medo terrível que a mão invisível da negridão me levasse para outro mundo. Ainda me lembro, quando descalcinho ia aos saltitos para a cama, esperançoso que o sono chegasse primeiro que a escuridão. A luz do corredor era a fada protetora, a minha salvação e guardiã do meu sono. Estava sempre ligada e presente, velando pelo meu transe noturno e restaurador. A sua presença deixava-me sempre a esperança que tudo estava bem, e mais importante, ia acabar bem quando nascesse o sol, quando voltasse a luz. Precisava de acreditar nisso quando ia para dentro da cama fria, naquela terrível missão de a aquecer. A angústia das nove e meia, quase por si só, expulsava o sono claro e trazia a insónia negra. Isto são memórias do meu quarto, de mim pequenino, medroso e ansioso pela alegria. Lembro-me tão bem disso, quantas são as saudades, daquelas noites tão escuras.


domingo, 13 de março de 2011

...

Hold me darling just a little while.
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight...
I lost my love, my life that night.
Oh where, oh where, can my baby be?
...so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

13 days without you...

sexta-feira, 11 de março de 2011

...

Em um quarto escuro...está ferido e despedaçado resto do meu amor traído
E a inocência de uma criança que é comprada e vendida, em nome "dos malditos". A sua falta de vontade de lutar e persistir deixou o silêncio e frio...
Perdoe-me, por favor, pois eu não sei o que faço. Como posso sentir mágoa que eu sei, é verdade.
Me diga quando o beijo do amor virar uma mentira! Por trás dessa cicatriz se esconde bem lá no fundo o medo de correr até você. Por favor, deixe que haja luz nesse quarto escuro. E todos momentos preciosos colocados de lado novamente! E o sorriso da madrugada traz a mancha da luxúria cantando meu réquiem...
Como posso encarar o dia enquanto sou torturado por aquilo que acredito e assistir isso cristalizando enquanto minha salvação vira pó?
Por que não posso guiar o navio antes dele encontrar a tempestade? Eu cai no mar, mas eu ainda nado em busca da praia...

terça-feira, 1 de março de 2011

Cartas da Guerra




Ela foi até a caixa postal
Num dia daquele verão luminoso
Achou uma carta de seu filho
Numa guerra, muito longe.

Ele falou sobre o clima
E dos amigos que fez
Ele disse: " Eu estava pensando no papai
E na vida que ele teve,
Isto é porque eu estou aqui."
Então no fim ele disse
"Você é por quem eu estou lutando"
Esta foi a primeira das suas cartas da guerra.

Ela começou a escrever

Você é bom, e valente
Como o pai que você será algum dia
Volte são e salvo.

Ela escreveu e rezou todas as noites.

Depois em Dezembro
Um dia que ela jamais esquecerá
suas lágrimas molharam o papel
Com cada palavra que ela leu

Ela dizia: " Eu estava no alto de uma colina
Eu estava sozinho lá
Quando os tiros foram disparados
E as bombas explodiram
E quando eu o vi
Ele veio até mim,
Mesmo que ele fosse capturado
Um homem me libertou
Aquele homem era seu filho
Ele me pediu para escrever para você
Eu disse que sim, Oh, é claro."
Esta foi a última das suas cartas da guerra.

E ela orou para que ele estivesse vivo
Continuou acreditanto e escreveu todas as noites só para dizer

Você é bom, e valente
Como o pai que você será algum dia
Volte são e salvo.

Ainda, ela permaneceu escrevendo todos os dias.

Então dois meses depois
Folhas de outono por todos os lados
Um carro veio pela estrada
E ela caiu no chão
Então parou um Capitão
Onde seu garotinho costumava ficar.

Ele disse: "mamãe, eu estou seguindo as ordens
De todas as suas cartas
E eu voltei para casa de novo."
Ele correu para abraça-la
Deixou todas suas malas no chão
Segurando todas as cartas da guerra dela.

Traga-o para casa...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

La différence


você fica acordada por 16 horas.
eu permaneço por dias a fio.

Você toma um banho para ajudar a acordar.
Eu fico dias ou semanas sem água corrente.

Você se queixa de dor de cabeça e diz estar doente.
Eu "levo tiros" enquanto vejo meus amigos serem atingidos, e continuo a avançar.

Você coloca sua camisa de "não dê suporte as tropas" e vai encontrar seus amigos.
Enquanto eu luto pelo seu direito de usar essa camisa.

Você fala besteiras dos seus amigos que não estão com você.
Eu sei que talvez nunca mais veja os meus.

Você caminha pela praia estrelado por pessoas bonitas.
Eu patrulho as ruas procurando por insurgentes e terroristas.

VocÊ se queixa de como está quente.
Eu uso equipamento pesado, sem me atrever a tirar o capacete para enxugar a testa.

Você sai para comer e se queixa porque o restaurante trouxe o pedido errado.
Eu ainda não comi hoje...

Sua empregada arruma sua cama e lava suas roupas.
Eu uso as mesmas roupas por semanas, mas me certifico de manter minha arma limpa.

Você vai ao salão ajeitar o seu cabelo.
Eu não tive tempo de escovar meus dentes hoje...

Você fica com raiva porque sua aula acabou 5 minutos depois.
Eu fico sabendo vou ter de ficar por mais 2 meses.

Você chama seus amigos para sair hoje a noite
Eu espero emails e cartas de casa.

Você pode beijar e abraçar seus amigos e familiares, como você faz todos os dias.
Eu trago "para dentro" suas palavras e sinto seu perfume.

Você critica o governo e diz que a guerra nunca resolve nada.
Eu vi inocentes sendo torturados e mortos pelo seu próprio povo...e me lembro porque estou lutando.

Você escuta piadas sobre a guerra, e acha engraçado homens como eu.
Eu escuto tiros, explosões e gritos de pessoas feridas.

VocÊ só vê o que a mídia quer que você veja.
Eu vejo corpos mutilados ao meu redor.

Seus pais lhe convidam para sair. Você não vai.
Eu faço exatamente o que me mandam mesmo que eu tenha que colocar minha vida em perigo.

Você fica em casa assistindo tv.
Eu pego todo o tempo que sobra para mim e escrevo para você, para meus familiares.

Você se sente orgulhosa por viver em um país livre.
Eu me sinto orgulhoso por lutar pela sua liberdade.

Você se sente alegre de estar em casa com sua família.
Eu tenho sorte de poder te ver pela primeira vez...

Se você é a favor ou contra, é irrelevante. A realidade é que esses homens ainda estão lutando e morrendo "por nós".
Tudo que eu queria é que houvessem pessoas no mundo inteiro para reconhecer e agradecer a estes homens pelo seu tempo e serviço ao MUNDO.







segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

....

Vou aprender a conhecer você,
Assim como os pássaros conhecem seus ninhos,
Sem dúvida num vôo livre,
Que se abre no infinito.
Vou aprender a caminhar com você,
Assim como as estrelas respeitam o brilho da lua,
Que sabe que como aquela só existe uma única no mundo.
Vou aprender a brigar com você,
Assim como as ondas do mar que brigam e se debatem inutilmente,
Para depois se transformarem em espumas suaves na areia.
Vou aprender a entender você,
Assim como as montanhas entendem as nuvens e se esticam como se pedindo chuva para os seus campos secos.
Vou aprender a amar você,
Assim como os pássaros amam a liberdade,
Os rios amam suas águas,
As estrelas amam o céu,
As ondas amam o mar,
As montanhas amam seus campos.
Vou aprender a amar você com o mais puro e sublime sentimento...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

....

É aqui, sentado, olhando o "fogo queimar" la na frente que começo a olhar para dentro de mim, e ver quanto espaço ainda tem. E sabe o que estou vendo?...que não tem muito espaço para esse tipo de coisa, que eu não tenho mais tanta "sobra" em aguentar coisas com a qual não consigo compactuar...as vezes é interessante agente fazer uma força e mostrar as coisas como elas realmente são porque a minha fase de faz de conta infelizmente passou...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

{x | ∃ x ∈ Ø /\ x ∉ A}

...Cheguei num ponto onde começo a me questionar. Até onde tudo foi real? até onde eu posso acreditar?...e infelizmente acabo por pensar no quão REAL EU SOU? O que eu tenho afinal de contas? Sujeira, suor, "pecados", dor, passado...o que você vê? o que você viu?...mais uma linha para uma história?...
O tempo passou, e agora parece que nada realmente aconteceu...deveria eu me sentir melhor assim? sim, se não fosse o espelho para me mostrar o monstro que eu me tornei...
É com uma dor enorme que arrumo "minhas" coisas.
Coisas minhas, essas, que não também não sei se são mesmo..."enfiar coisas na mala" é uma terapia que só gente estúpida tem que fazer...é como "rechear um pão", a única diferença é que o "pão" não se recheia com lembranças.
Agora que a VIDA me 'olha nos olhos' eu começo a perceber que 'encarar a morte' não era tão ruim...só bastava um segundo e tudo estava acabado...por fim eu "morri e continuei vivo" o que por incrível que pareça, hoje me causa desespero...
Porque eu sinto isso tudo agora?..sabe que eu não sei. Eu só sei que quando se cessou o som das bombas, dos tiros, dos gritos, do choro, eu percebi essa dor gritando bem alto aqui dentro de mim, mas é só agora que decidi continuar andar com essa "cicatriz". Você também consegue escutar? sou eu...
Tudo bem se quiser esquecer, tudo bem se você quiser chorar depois...mesmo estand machucado eu "estou bem", eu vou ignorar essa dor porque ainda tenho pernas. Enquanto a confiança das pessoas em mim se quebrava num som estrondoso, eu percebi o "som do vento" dizendo tudo o que viria depois daquela dor...mesmo ignorando todo mundo, eu me lembrei daquela noite em que uma lágrima caiu das estrelas para me proteger, era você?...Essa voz aqui dentro parece triste, eu quero encontrar essa voz chorando...

"...O que é um absurdo porque, não existe elementos em Ø. Logo, não pode existir o conjunto A que não contenha Ø...
A união do conjunto vazio com qualquer conjunto A é A; A intersecção do conjunto vazio com qualquer conjunto A é o conjunto vazio;"

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

últma tentativa...

Hoje começa novamente,
Hoje mais outro incidente ocorreu
De jeito nenhum, desta vez não vou simplesmente abaixar a cabeça e ignorar...
É bastante óbvio quem precisa se calar.
Cinzeiros cheios dos frutos das nossas transgressões,
Sarcasmo transborda aqui e ali
Para ficar, eu preciso de uma reprise novamente
Até que eu volte à essência de como isso acontece.
Então o que você quer que eu faça?
Me dê uma razão, venha e faça meu dia,
Porque eu não aguento mais um dia
Pergunte a si mesma o quão sortuda você se sente?

De alguma forma eu fui pego de surpresa pelo meu próprio
Coração de criança, sem noção de quem somos.
Sem dúvida, nos colidimos de qualquer maneira
Eu indiciado e você alarmando.
Primeiro round eu vou tomar meu canto,
Pegue os meus votos, reagrupe e volte correndo novamente.
O que você vê, você não poderia ofender.
Eu agi como um tolo sem saber o que fazer quando você me deu mais do que eu esperava,
Mais em minhas mãos amarradas.
É a última tentativa para você se divertir,
Lambendo a sola das botas do seu orgulho.
Toda vez que você "mente!"

Sim, me dê um motivo.
Sim, faz o meu dia.

(Porque alguém vai ter que pagar)

Você pode me dar uma razão?
Eu estou comovido de graça
Algo que eu posso esperar, no final do dia.
Porque não posso seguir em frente até que, eu saiba qual é o negócio...


sábado, 12 de fevereiro de 2011

...

Perdoar definitivamente não apaga suas "mancadas" e muito menos o passado...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

[...]

...Ø






é isso...vazio...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Íntimo

Houve um tempo em que a gente não falava de sexo como quem fala de um pedaço de torta. Ninguém dizia Fulano comeu Beltrana, assim, com essa vulgaridade. Nada disso. Fulano tinha dormido com ela. Era este o verbo. O que os dois tinham feito antes de dormir, ou ao acordar, ficava subentendido. A informação era esta, dormiram juntos, ponto. Mesmo que eles não tivessem pregado o olho nem por um instante. Lembrei desta expressão ao assistir Encontros e Desencontros a alguns meses atrás. No filme, Bill Murray e Scarlett Johansson fazem o papel de dois americanos que hospedam-se no mesmo hotel em Tóquio e têm em comum a insônia e o estranhamento: estão perdidos no fuso horário, na cultura, no idioma, e precisando com urgência encontrar a si mesmos. Cruzam-se no bar. Gostam-se. Ajudam-se. E acabam dormindo juntos. Dormindo mesmo. Zzzzzzzzzzz. A cena mostra ambos deitados na mesma cama, vestidos, conversando, quando começam a apagar lentamente, vencidos pelo cansaço. Antes de sucumbir ao mundo dos sonhos, ele ainda tem o impulso de tocar nela, que está ao seu lado, em posição fetal. Pousa, então, a mão no pé dela, que está descalço. E assim ficam os dois, de olhos fechados, capturados pelo sono, numa intimidade raramente mostrada no cinema. Hoje, se você perguntar para qualquer pré-adolescente o que significa se divertir, ele dirá que é beijar muito. Fazer campeonato de quem pega mais. Beijar quatro, sete, treze. Quebram o próprio recorde e voltam pra casa sentindo um vazio estúpido, porque continuam sem a menor idéia do que seja um encontro de verdade, reconhecer-se em outra pessoa, amar alguém instintivamente, sem planejamento. Estão todos perdidos em Tóquio. Intimidade é coisa rara e prescinde de instruções. As revistas podem até fazer testes do tipo: “descubra se vocês são íntimos, marque um xis na resposta certa”, mas nem perca seu tempo, a intimidade não se presta a fórmulas, não está relacionada a tempo de convívio, é muito mais uma comunhão instantânea e inexplicável. Intimidade é você se sentir tão à vontade com outra pessoa como se estivesse sozinho. É não precisar contemporizar, atuar, seduzir. É conseguir ir pra cama sem escovar os dentes, é esquecer de fechar as janelas, é compartilhar com alguém um estado de inconsciência. Dormir juntos é muito mais íntimo que sexo.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

[...]

"Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo, e o que voce, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler..."

Ao menos era o que esperava...mas nao sentimos na mesma intensidade. Nos encontramos em situaçoes totalmente contrárias e o tempo que me sobra para pensar em voce nos meus dias é diferente dos teus dias recheados..." - amanha vai estar tudo bem, aguente firme, se nao depois de amanha" e assim por diante, assim dessa maneira um "Oi" da sua parte nao se faz necessario. Falta acho que nao sentiu, a cabeça cheia e o dia é curto demais...eu compreendo. As vezes estamos naqueles dias em que precisamos de um pouco de atençao mesmo que saia um pouco forçado, o que nao significa nada para voce pode significar muito para o outro e ser ponto crucial...mesmo que seja mentira, no fundo, para quem espera se torna verdade e isso da ânimo e coragem para continuar o dia.

Bom, como tudo passa, isso também vai passar, é só esperar e superar...

De longe te hei de amar- da tranquila distância entre nós, em que o meu amor é saudade e o desejo, constância...



-Adam

domingo, 30 de janeiro de 2011

Falta...

Sinto falta de você no meu dia
De nossas parcerias criativas
De tua adorável companhia

Gosto de ler o que escreve
Entender todas as metáforas
E responder com minha verve!

Sei que nem sempre consigo te acompanhar
Pois teus escritos são ricos, são demais
Mas me reinvento nas tentativas de rimar

Teus verbos: ser, amar, estar e poder,
Desfilam nas folhas de papel
Fazendo-me conjugar: o dar, doar, ceder...

E nas noites, quanto bate a solidão,
Sinto mais falta de você
E da alegria que traz pro meu coração!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Culpa...

Um silêncio perpétuo emerge do reino dos horrores para libertar os mil fantasmas,
que atormentam a minha mente.
O choro dos bebes,
o som das balas que actuam como a Morte,
o grito das mulheres por terem de deixar a familia,
o estrondo dos prédios a sucumbirem,
o grito de fúria dos bombardeamentos e
a rendição dos heroís que combatem na guerra.

E também vejo os fantasmas,
das pessoas que assassinei a sangue frio, em ocasionais aparições de desespero que os pesadelos me concedem.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

[...]

Um dia eu fui alguém que não queria ser.
Sempre quis ser herói mas nunca passei de um covarde...
Eu não era nada para você, e talvez continue assim.
Um dia eu conheci uma garota...
[...] mas eu não sabia...
Ela é tudo que eu não tive.
Enquanto eu chorava ela sorria
Enquanto eu amaldiçoava minha refeição, ela me falava sobre os sabores da vida.
Enquanto os outros viravam as costas ela fez questao de olhar nos meus olhos.
Ela disse que iria me esperar.
Ela disse que iriamos "nos casar".
Quando ela olhou ao meu redor não viu só espelhos quebrados.
Quando eu não tinha lugar para ir, ela me mostrou seu coração...
Eu não sou herói, e não cheguei perto de ser...
Só quero que ela continue comigo.
Eu queria dizer que te amo
Mesmo que o amor fique sem jeito
Mesmo que a distância nos leve para caminhos diversos e desertos
Mesmo que o tempo seja inimigo
Mesmo que a tristeza faça parte da saudade
Mesmo que o sabor doce se transforme em fel
Mesmo que o salgado seja um pouco insosso
E o açúcar não tenha gosto de mel.
Eu continuo a dizer que eu...
Sem sombra, sem lama
Sem lua, sem céu
Sem rua, sem véu
Sem estrelas, sem chuva
Sem o relâmpago incandescente da tempestade
Sem as nuvens tonitruantes da escuridão.
Na procura incessante com a vontade permanente
Mesmo que seja de uma vida inteira ou de um momento casual breve.
Eu continuo a dizer que te amo
Mesmo que ninguém entenda o que há dentro de mim
Mesmo que eu não saiba porque sou assim.
...Nas multifaces do amor podendo ser encontradas
Na complementaridade do poder do sentir, amar e entender.
Por isso continuo a dizer que te amo mesmo sem saber por quê.

-Adam

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O peso que nós levamos...

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

domingo, 23 de janeiro de 2011

{ }

Sem que você perceba
Eu invado a sua vida.
Sem a menor cerimônia
Vasculho os segredos de sua alma,
Agindo covardemente
Sob os auspícios da solidão.

Eu te abandonei
Em um labirinto úmido
Onde a sua sede
Saciou meus seios fartos

Como um parasita
Eu me hospedo em seus sonhos,
Influenciando-lhe a repudiar
A sua condição humana

Você me alimenta
Com os seus temores.
Aquece o meu corpo
Com o frio do seu suor.

Excita a minha libido
Com o desenfrear das suas palpitações.
Encoraja-me dia e noite
Com as lágrimas do seu amanhã.

Sou um lago profundo
Entre o mistério e a revelação.
Sou um cometa sem rumo
Perdido num cosmo de rebelião.
... Meu nome é Tristeza.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E por fim...que pare o meu coração.

Cheio de tanta hipocrisia, a verdade juntantamente comigo sucumbiu-se: - escárnio.
Essa máscara que fundiu-se em minha face. Não sei ser mais eu. Afinal quem sou eu que não consigo me salvar?!! Afinal, que tento eu tanto salvar? Como eu posso não ser eu?
As vozes que antes supunha esterilizadas voltam. Uma nódoa negra num pano escuro. Uma fonte de inquietação e absurdez. Tudo desconexo, grotesco e ultrajante.
Culmino a dipepsia e nada mais consigo ingerir.
Agarro nesses pensamentos alienados e procuro realizar-lhes, vigorar-lhes algum sentido e razão conceitual. - Dar-lhes-ia algum azilo a estas inquietações se pudesse fundir-las com o real e depois de ludibriar-lhes, trancar-lhes-ia a sete chaves numa prisão qualquer perpétua com suas eloquências.
Tudo isto não passão de frases que nem a pensamentos cogitáveis aliciam. Tormentos acrílicos e detritos transbordantes de imaginação midíocre, medo desconfortante.
Procuro subterfúgios, mastigo a língua que jaz sofrida e mole. Convenções aniquildas ganham vida mas não vivem, estão extásiadas na minha mente. Desordenam tudo. Criam fendas no irreal e açoitam o real. Criam desespero e exaustidão.
- Quem ês tu que dizes ser eu? - pergunto-lhe - Quem há ai capaz de dilacerar e julgar meus atos? Por que se eu sou eu, tu não podes ser eu.
Absurdo, insano,neurótico. Como quebrar este murro ilusório?
Um torpel de vozes gritam sem cessar, o infinito se alastra na minha cabeça que cansada tambem grita, grita por sossego. São obras seculares de tormentos e abnegações.
Defuntos não acordam nem morrem, desintegram-se e somem.
Tirem essa imagem do espelho. A negligência custa a ceder. Um ser procurando lógica de co-existência monóloga. Torrentes interrogatórias de loucuras. Corroem tudo e nada e mais algo que anda por ai e doi.
.
No guardafatos ao fundo, a luz finda o estrondo. O silêncio vem absoluto e escuro. Um minuto de paz comigo e comigo próprio... Posso agora repensar e lembrar.
O brilho do diamante que vc deixou almeja outro que não eu. Brilha-me intensamente e ofusca outrem.
Desligo tudo e reencaro-me num espelho no escuro. As questões e insoluções.
Tiro dos olhos as lentes verdes que escurecem a minha natureza e olho denovo. O trajeto que percorro.
O meu chamar que não ouve mais, grito e grito... Apavorado e desiludido. Agora que ouves aos anjos e seu sepúlcro não fui regar. Desato-me a chorar: salgo a minha face com estreitos cursos de lágrimas frias, doridas que vão ao chão, encontrar minhas mortas expressões em pedaços.
.
Sentimentalismo absurdo, pensamentos rídiculos de emoções plásticas e embanhados de oiro barato o tempo passou. Tanta tinta verde e preta que usei escorrem pela descarga do banheiro abaixo, simplesmente com um olhar da água e contusões. E ontem não via, não queria... Os sentimentos ficam trancados, nem derretendo a alma eles se vão.
Vem a realidade triste e condolente lamentando meu mundo sem abjecções ilusórias. Vejo-me escuro e negro, sórdido e infeliz. Sozinho.
A retórquica existência... mas o tempo passou. As cicatrizes minhas não desenham sabedoria mas um parque ermo e sujo.
Todo trabalho construindo uma aluição.
Agora eu sou eu e mais ninguém e todas chagas do passado. Dormindo atrás de mim, só agora me fundi com a verdadeira realidade e é tarde. Ao tempo que passou fora de outro que não eu.
Que "seus prantos" exilam-se como morna chuva sobre mim, desça daí e me perdoe...

UM COMENTARIO SÓ E ESTAS LIVRE DE MIM...

Raul M. Casagrande

sábado, 15 de janeiro de 2011

Abraço...

De repente , deu vontade de um abraço...
Uma vontade de entrelaço, de proximidade ... de amizade, sei lá !
Talvez um aconchego amigo e meigo, que enfatize a vida e amenize as dores ... que fale sobre os amores, seja afetuoso e ao mesmo tempo forte ...
Deu vontade , de poder ter saudade de um abraço.
Um abraço que eternize o tempo e preencha todo o espaço.

Mas que faça lembrar do carinho, que surge devagarinho, na magia da união dos corpos, das auras, sei lá!
Lembrar do calor das mãos, acariciando as costas, a dizerem : - Estou aqui !
Lembrar do enlaçar dos braços, envolventes e seguros, afirmando : - Estou com você !
Lembrar da transfusão de força, ou até da suavidade do momento, sei lá.
Então, pensei em como chamar esse abraço: abraço poesia, abraço força, abraço união, abraço suavidade, abraço consolo e compreensão, abraço segurança e justiça, abraço verdade, abraço cumplicidade ?

Mas o que importa é a magia desse abraço, a fusão de energias que harmoniza, integra o todo e se traduz no cosmos, no tempo e no espaço...
Só sei que agora , deu vontade desse abraço :
Um abraço que desate os nós, transformando-os em envolventes laços ...
Que sirva de "colo", afastando toda e qualquer angústia...
Que desperte a lágrima de alegria e acalme o coração...
Um abraço que traduza a amizade, o amor e a emoção.
E para um abraço assim, só consegui pensar em você .
Nessa sua energia, nessa sua sensibilidade, que sabe entender o porque dessa minha vontade.

sábado, 8 de janeiro de 2011

...


Sinto uma angústia apertando-me o peito, a garganta...
Lágrimas vertem de meus olhos sem que eu as queira!
Escalas do imponderável?
Ah... com que profundidade de sentimentos falas isso.
Não quero saber de escalas imponderáveis!
Não alcanço sua compreensão,
abençoada, alma abnegada querendo justificar
e perdoar a quem, ao quê?
Alieno-me a conformismo!
Quero sentir você, respirar você,
viver você, em você!
Sinto falta do seu olhar, por não sentir-lhe
olhando-me dentro dos olhos, através de prismas coloridos...
e ver neles o brilho do amor, maior que o de mil estrelas!
Quisera jamais sentir a ausência da luz, que à distância
torna-se a triste união do branco... e preto!
Sinto nossos corpos unidos se beijando,
sem nunca lhe ter tocado,
nunca ter sentido sua carne junto a minha!
O pensamento cansa de pensar, o desejo de desejar!
Só quem não cansa é o pobre coração, que sempre ama!
Você de mim nada roubou, apenas me roubou... e não me levou.
Alma também ama, deseja, não é só o corpo não, sabia?
Eu sei o que é amor... amor é o que sinto por você!
Quem sabe um dia, de uma constelação infinita,
caia uma estrela em suas mãos... e a leve com você!!!???

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vazio...

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida. E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado, quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados, para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada, que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada, mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço e eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada...

^^,
Música de um desenho que acho fantástico...

Para VOCÊ, sim...VOCÊ...escutar enquanto lê ;D