quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

para horas assim...


Se eu soubesse.

Se eu soubesse...
Ah se eu soubesse...
Que iria ser tão complicado, tão dolorido.
Que eu não teria um minuto de silêncio porque minha cabeça estaria projetando todos os gritos, choros e explosões que ouvi e vi...
Se eu soubesse que eu nunca iria esquecer o rosto de cada um de vocês...
Cada vez que o gatilho foi puxado.
Ah se eu soubesse...
Não seria você a se engasgar com o próprio sangue.
Não seria você largado naquele lugar.
Ah se eu soubesse da guerra que estaria por começar em minha vida.
Se eu soubesse que todos os dias eu acordaria com vontade de enfiar uma bala cabeça...
Seria eu...
Seria eu no seu lugar naquele dia... seria eu a me arremessar em busca da "paz que você alcançou"...
Eu não sou "bom demais" como você dizia...
Você é que era... quem ficou para trás foi eu, quem recebeu a paz eterna foi você meu amigo.
VOCÊ! era bom, eu não sou...

Até breve...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Vazio

Dormi com as cicatrizes abertas
sem tempo para desculpas
claustrofobia emergente
que me fala de verdades
carregadas na alma ausente.
Uma doença social, a mentira,
como uma ferramenta destrutiva,
construída com vaidade veloz
num mundo cinzento escuro,
vejo mais do que esperava,
em cegueira delirante,
pequenez enorme onde me encosto,
em desgosto de alegria,
pensar que num só dia,
me possa esquecer do que recordo,
rectificando cada palavra passada,
em lágrima de raiva gelada,
numa timidez aconchegada ao peito,
gritar num silencio desfeito,
antes de partir, outra vez,
para o meu recanto, o meu leito.