Era fim de tarde, estávamos sentados na estação a espera do trem que
nos levaria até a pequena cidade no sopé da montanha que acolhe o
mosteiro. Tínhamos ido visitar uma jovem que passava por tratamento
oncológico em um moderno hospital de uma metrópole não muito distante.
Como de costume, o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais
antigo da Ordem, parecia encantado com tudo a sua volta. O movimento, as
lojas, as pessoas; a alegria e a tristeza nas chegadas ou partidas; os
abraços emocionados, sorrisos e choros de encontros e despedidas; os
solitários. “Esta gare é a síntese do mundo”, comentou sem me olhar,
sabendo que eu o observava. Comentei que achava estranho a mania de ele
encontrar beleza em tudo e em todos. “É preciso exercitar o ver-além das
aparências, das formas e, principalmente, da ilusão. É necessário nos
encantar com a essência. O Mestre nos ensinou que ‘quando seu olho é
bom, todo o seu corpo é luz’”, citou um pequeno trecho do Sermão da
Montanha.
Aleguei que a prática era bem diversa da teoria. Usei
como exemplo a moça adoentada que tínhamos visitado naquele dia. O
médico não dera nenhuma garantia de sucesso no tratamento e o futuro
dela era uma incógnita. Como agravante, ela vivia como quem tem uma faca
afiada no pescoço, na iminência do corte. “Todos temos. Apenas
desconhecemos a hora e o jeito do golpe. As lâminas se apresentam com
inúmeras faces. Acidentes, catástrofes, assassinatos; doenças
inesperadas, lentas ou fulminantes; os vícios e as tristezas, graves
variantes de suicídio inconsciente; a contagem variável, inconstante, e
implacável da ilusão do tempo”, deu uma pequena pausa e comentou: “A
propósito, você reparou como ela estava feliz”?
Falei que era tudo
jogo de cena para tentar alegrar os parentes que a amavam, pois ninguém
poderia ficar bem diante daquela situação. O monge deu de ombros como se
eu não tivesse entendido nada e falou: “Eu conversei muito com ela. A
doença trouxe a reflexão sobre a morte. Isto a fez alterar o sentido da
vida, pura expansão de consciência. Houve uma mudança de valores.
Situações relegadas à segundo plano, sentimentos adormecidos e
compromissos esquecidos ou adiados ganharam importância e emergiram para
ganhar força e poder. Coisas que sempre foram urgentes acabaram por
evidenciar a sua irrelevância. Tudo mudou. Por vezes, a doença do corpo é
o remédio da alma. Para alguns é o método mais eficaz de cura. Não
tenha dúvida, a felicidade e a paz que ela sente são sinceras e,
provavelmente, nunca as teve antes, ao menos com tamanha magnitude”.
“Dificuldades e decepções podem abater e consumir as nossas forças ou
podem nos ensinar preciosas lições de aperfeiçoamento e força para o
próximo bom combate, que sempre virá. Seja de uma maneira ou outra, o
Universo sempre conspira a nosso favor, cabendo a nós entender e
aproveitar, ao invés de atrapalhar ou lamentar. Em todas as situações,
sejam vitórias ou derrotas, dores ou delícias, a vida sempre oferece um
cálice repleto de veneno e outro de mel. Nós escolhemos qual beber”.
Falei que talvez de nada adiantasse todos os ganhos espirituais
adquiridos pela moça se lhe restasse pouco tempo de vida. O Velho
balançou a cabeça contrariado antes de falar: “Isto não tem
importância”! E antes que eu articulasse qualquer palavra, prosseguiu:
“Não percebe que esse novo olhar é herança eterna, tesouro imaterial que
ela poderá levar na bagagem para o próximo trecho do Caminho? Este
ganho é real! Esquece que a viagem não tem fim? A doença foi apenas o
caldeirão, mas poderia ter sido uma separação conjugal ou uma demissão
trabalhista. O importante é que ela se permitiu acrescentar o
ingrediente essencial: amor sobre todas as coisas. Depois mexeu com a
colher da sabedoria concedida pela própria expansão de consciência.
Pronto, eis a magia da transformação do chumbo em ouro. Esta é a
alquimia da vida”.
Somente naquele momento me dei conta de alguns
casos conhecidos de pessoas que ficaram melhores e mais interessantes
após dolorosas situações de divórcio ou falência. Viram o céu fechar,
enfrentaram terrível tempestade e sobreviveram para se reinventar e voar
mais alto do que eram capazes de imaginar antes das dificuldades
surgirem.
Como se soubesse os meus pensamentos, o Velho comentou:
“A derrota ou a vitória, independente do aparente júbilo ou tragédia, se
define na amplitude do seu olhar. É uma escolha da alma. Algumas vezes a
vitória só é permitida na derrota”.
Como assim? Confessei que não
tinha entendido. O monge manteve a sua enorme paciência para que eu
compreendesse o óbvio: “Ganhar nem sempre é vencer, pois existem dois
aspectos verdadeiros e ocultos nesta sentença. O primeiro é que não se
atinge a vitória ganhando a qualquer custo. Há que se trilhar o
inevitável caminho da dignidade ou nada terá valor. O outro, nasce da
lógica inversa: perder nem sempre significa derrota. Enquanto o
desesperado chora pela tragédia, o sábio agradece pelas asas”.
Diante do meu espanto, exemplificou para me ajudar: “Para o enfermo a
proximidade da morte pode lhe oferecer a infinita dimensão da vida.
Quando isto acontece a felicidade e a paz são indescritíveis. Perde-se o
corpo, ganha-se a alma”.
“Quantas vezes o afastamento da pessoa
amada não foi a oportunidade para se aproximar e conhecer a si próprio?
Perde-se o outro, ganha-se a si mesmo”.
“A demissão do emprego que
significava a ilusão de estabilidade pode proporcionar o desenvolvimento
dos seus dons e talentos, resgatar o sonho escondido e permitir o
despertar de todo o potencial pessoal e profissional adormecidos.
Perde-se uma vaga, ganha-se o mundo”.
“Esses são os milagres da
vida. As transformações indispensáveis que permitirão florescer o melhor
que nos habita. Para tanto, algumas vezes, é necessário a forte pressão
da terra para que a semente exploda e germine”. Deu uma pequena pausa,
me mirou fundo nos olhos e disse: “A felicidade e a paz não serão nunca
uma condição material, mas sempre uma decisão filosófica em aprender,
transmutar, compartilhar e seguir”. Neste instante o trem apontou na
estação e diante do meu desconcerto, eu ainda tentava alinhar todas
aquelas palavras, o Velho deu um sorriso maroto, apontou o vagão com o
queixo e disse: “É hora de partir, Yoskhaz. Ou você prefere ficar”?
Hello darkness, my old friend, I've come to talk with you again, Because a vision softly creeping, Left its seeds while I was sleeping, And the vision that was planted in my brain Still remains Within the sound of silence.
segunda-feira, 16 de maio de 2016
O PODER DAS ESCOLHAS. (Conto)
“Ser
forte é uma escolha. Ninguém nasce corajoso ou covarde, no entanto,
todos os dias, a toda hora, fazemos a escolha por fugir ou enfrentar a
batalha que se apresenta dentro e fora de nós”, falou Canção Estrelada, o
xamã que através da palavra, cantada ou não, narrava a sabedoria
ancestral do seu povo. Estávamos apenas os dois, sentados em torno de
uma pequena fogueira sob o manto de
estrelas a inspirar a conversa. Naquele dia tinha ocorrido um cerimonial
destinado aos jovens da tribo que selava a passagem da adolescência
para a vida adulta. Lembrei das palavras ditas pelo xamã ao encerrar o
ritual: “O entendimento de que você é capaz de resolver os problemas que
surgem, a aceitação da responsabilidade que lhe cabe e a coragem para a
luta, desenham a maturidade formada no guerreiro, que somente após ser
lapidado em muitas batalhas estará pronto para se sentar entre os
sábios”.
Comentei que admirava a valentia de determinadas pessoas que se mostravam obstinadas em seus objetivos e verdades. Por fim, confessei, não sem uma ponta de vergonha, que eu gostaria de ser um desses. O xamã deu uma longa baforada em seu cachimbo de fornilho de pedra, me observou por instantes e disse: “Todos os heróis que conheci navegaram os mares da dúvida e trilharam as florestas do medo. São tempos sombrios, de incertezas internas, mas necessários. Buscaram na quietude e no silêncio as respostas que precisavam. As dificuldades aperfeiçoam o caráter e fortalecem o espírito. Só assim alicerçamos a força em nós e aprimoramos as nossas escolhas”. De pronto falei que não tinha compreendido todo o alcance de suas palavras. Canção Estrelada me mirou nos olhos e falou: “As escolhas são as únicas ferramentas que temos para exercitar a espiritualidade. Não há outra, daí o seu valor. Através delas você aprende absolutamente tudo que precisa: a diferenciar o bem do mal; a essência da aparência; a justiça das leis; que para ser grande é necessário ser verdadeiramente humilde; que os verdadeiros revolucionários são mansos, pois sabem que as transformações que mudam o mundo são interiores; que sem pureza no coração não existe vitória; que é impossível ser feliz sem perdoar; que sem compaixão não existe vida em comum; que sem renúncia não se pode amar e, por fim, que sempre é possível escolher diferente e melhor”. Deu uma longa pausa, com os olhos perdidos nas labaredas, e voltou ao assunto: “Gostamos de pensar que somos o discurso que narramos sobre nós mesmos ao nos apresentar aos outros. Mas não, na verdade, somos o somatório das escolhas que fazemos no decorrer da existência. Elas nos fizeram chegar até aqui, entre erros e acertos, dores ou delícias. As escolhas nos definem e indicam o futuro próximo, pois estão inexoravelmente atreladas a Lei da Ação e Reação. As escolhas mostram como você atravessa o Caminho, seus percalços ou suavidade”.
Comentei que só naquele instante tinha me dado conta das centenas de escolhas que fazemos durante um único dia. Das mais simples, mas não menos importantes, como sorrir ao nos dirigirmos a alguém, até as mais complexas como terminar um relacionamento ou mudar de emprego. “Tudo são escolhas. E por mais opressora que seja a situação, sempre temos possibilidades de escolher. Ficar ou partir, aceitar ou lutar, falar ou calar. As escolhas são as sementes imortais da liberdade que nos habita e diferencia”, concluiu o xamã. Aproveitei e falei que passava por um momento muito difícil, pois tinha que decidir sobre questões pessoais e profissionais para que pudesse dar um rumo à minha vida. As muitas chances que se apresentavam, diante das incertezas que tinha, acabavam por se tornar em possibilidade nenhuma.
“Nossas escolhas são a espada do guerreiro ou a lanterna do sábio a desbravar e iluminar a estrada da vida”, explicou. Ele deu uma pequena pausa e eu aproveitei para perguntar ao Canção Estrelada por qual direção eu deveria seguir. O xamã sorriu com bondade e falou: “Ninguém poderá lhe dar essa resposta, salvo você mesmo. A sua escolha é fruto de todos os elementos que germinam dentro de você. É o instrumento que afinará a melodia da sua alma. É a expressão do seu nível de consciência e da pureza que traz no coração. Permita-se ficar a sós consigo e entender que cada escolha definirá as condições próximas do Caminho, pontes ou abismos, jardins ou desertos”.
Falei que muitas vezes hesitei em seguir por algumas trilhas por pensá-las por demais arriscadas, noutras por não saber onde terminavam. Canção Estrelada explicou com paciência: “Há caminhos mais seguros, que te levam a curta distância, em paisagens previsíveis; trilhas mais perigosas, que podem te apresentar um universo inimaginável. Para fazer a escolha preste atenção em qual sentimento lhe move: a busca pelo aplauso fácil imposto pelas convenções sociais ou o mergulho profundo na viagem ao aperfeiçoamento no exercício do ser? Quando o seu movimento é impulsionado por nobres sentimentos o poder do mundo passa para as suas mãos. Esta é a magia da vida”.
Canção Estrelada me olhou com severidade e disse: “Cada uma das escolhas tem que vir revestida de dignidade, coragem, humildade, alegria e amor para que o palco se descortine diante do fantástico espetáculo das possibilidades ainda desconhecidas, a permitir que desperte o sagrado que adormece em ti”.
O sagrado em mim, como assim? Estranhei o termo. O xamã explicou: “Suas escolhas movimentam as suas asas ou te impedem de voar. Elas são o sal da vida, o sorriso no rosto, o encantamento por si e pelo outro, além da conexão com a pulsante esfera invisível. Assim, as escolhas têm o poder de transformar o mundano em sagrado pelo conteúdo e valor da transformação que irá gerar. Cada escolha pode ser um ato vulgar ou ter a força transformadora do milagre”.
Insisti dizendo que não tinha entendido. Canção Estrelada me olhou diferente, como um pai observa um filho e finalizou com a velha e boa lição: “A todo momento o Caminho nos apresenta bifurcações. Por um lado, a atraente estrada dos desejos, repletas de holofotes, privilégios e homenagens; do outro a discreta trilha das necessidades de metamorfoses da alma, cujas as únicas luzes apenas se acendem nos corações”. O xamã ficou algum tempo sem dizer palavra, como se buscasse lembranças ancestrais, até que finalizou: “Nem tudo que reluz é luz. Apenas a chama que brota nos corações puros pode iluminar os passos. O amor tem o poder de sacralizar todos os atos e de transformar o mundo quando é a força motriz das escolhas. O maior segredo da vida é muito simples, Yoskhaz: escolhemos por puro amor ou escolheremos errado”.
Comentei que admirava a valentia de determinadas pessoas que se mostravam obstinadas em seus objetivos e verdades. Por fim, confessei, não sem uma ponta de vergonha, que eu gostaria de ser um desses. O xamã deu uma longa baforada em seu cachimbo de fornilho de pedra, me observou por instantes e disse: “Todos os heróis que conheci navegaram os mares da dúvida e trilharam as florestas do medo. São tempos sombrios, de incertezas internas, mas necessários. Buscaram na quietude e no silêncio as respostas que precisavam. As dificuldades aperfeiçoam o caráter e fortalecem o espírito. Só assim alicerçamos a força em nós e aprimoramos as nossas escolhas”. De pronto falei que não tinha compreendido todo o alcance de suas palavras. Canção Estrelada me mirou nos olhos e falou: “As escolhas são as únicas ferramentas que temos para exercitar a espiritualidade. Não há outra, daí o seu valor. Através delas você aprende absolutamente tudo que precisa: a diferenciar o bem do mal; a essência da aparência; a justiça das leis; que para ser grande é necessário ser verdadeiramente humilde; que os verdadeiros revolucionários são mansos, pois sabem que as transformações que mudam o mundo são interiores; que sem pureza no coração não existe vitória; que é impossível ser feliz sem perdoar; que sem compaixão não existe vida em comum; que sem renúncia não se pode amar e, por fim, que sempre é possível escolher diferente e melhor”. Deu uma longa pausa, com os olhos perdidos nas labaredas, e voltou ao assunto: “Gostamos de pensar que somos o discurso que narramos sobre nós mesmos ao nos apresentar aos outros. Mas não, na verdade, somos o somatório das escolhas que fazemos no decorrer da existência. Elas nos fizeram chegar até aqui, entre erros e acertos, dores ou delícias. As escolhas nos definem e indicam o futuro próximo, pois estão inexoravelmente atreladas a Lei da Ação e Reação. As escolhas mostram como você atravessa o Caminho, seus percalços ou suavidade”.
Comentei que só naquele instante tinha me dado conta das centenas de escolhas que fazemos durante um único dia. Das mais simples, mas não menos importantes, como sorrir ao nos dirigirmos a alguém, até as mais complexas como terminar um relacionamento ou mudar de emprego. “Tudo são escolhas. E por mais opressora que seja a situação, sempre temos possibilidades de escolher. Ficar ou partir, aceitar ou lutar, falar ou calar. As escolhas são as sementes imortais da liberdade que nos habita e diferencia”, concluiu o xamã. Aproveitei e falei que passava por um momento muito difícil, pois tinha que decidir sobre questões pessoais e profissionais para que pudesse dar um rumo à minha vida. As muitas chances que se apresentavam, diante das incertezas que tinha, acabavam por se tornar em possibilidade nenhuma.
“Nossas escolhas são a espada do guerreiro ou a lanterna do sábio a desbravar e iluminar a estrada da vida”, explicou. Ele deu uma pequena pausa e eu aproveitei para perguntar ao Canção Estrelada por qual direção eu deveria seguir. O xamã sorriu com bondade e falou: “Ninguém poderá lhe dar essa resposta, salvo você mesmo. A sua escolha é fruto de todos os elementos que germinam dentro de você. É o instrumento que afinará a melodia da sua alma. É a expressão do seu nível de consciência e da pureza que traz no coração. Permita-se ficar a sós consigo e entender que cada escolha definirá as condições próximas do Caminho, pontes ou abismos, jardins ou desertos”.
Falei que muitas vezes hesitei em seguir por algumas trilhas por pensá-las por demais arriscadas, noutras por não saber onde terminavam. Canção Estrelada explicou com paciência: “Há caminhos mais seguros, que te levam a curta distância, em paisagens previsíveis; trilhas mais perigosas, que podem te apresentar um universo inimaginável. Para fazer a escolha preste atenção em qual sentimento lhe move: a busca pelo aplauso fácil imposto pelas convenções sociais ou o mergulho profundo na viagem ao aperfeiçoamento no exercício do ser? Quando o seu movimento é impulsionado por nobres sentimentos o poder do mundo passa para as suas mãos. Esta é a magia da vida”.
Canção Estrelada me olhou com severidade e disse: “Cada uma das escolhas tem que vir revestida de dignidade, coragem, humildade, alegria e amor para que o palco se descortine diante do fantástico espetáculo das possibilidades ainda desconhecidas, a permitir que desperte o sagrado que adormece em ti”.
O sagrado em mim, como assim? Estranhei o termo. O xamã explicou: “Suas escolhas movimentam as suas asas ou te impedem de voar. Elas são o sal da vida, o sorriso no rosto, o encantamento por si e pelo outro, além da conexão com a pulsante esfera invisível. Assim, as escolhas têm o poder de transformar o mundano em sagrado pelo conteúdo e valor da transformação que irá gerar. Cada escolha pode ser um ato vulgar ou ter a força transformadora do milagre”.
Insisti dizendo que não tinha entendido. Canção Estrelada me olhou diferente, como um pai observa um filho e finalizou com a velha e boa lição: “A todo momento o Caminho nos apresenta bifurcações. Por um lado, a atraente estrada dos desejos, repletas de holofotes, privilégios e homenagens; do outro a discreta trilha das necessidades de metamorfoses da alma, cujas as únicas luzes apenas se acendem nos corações”. O xamã ficou algum tempo sem dizer palavra, como se buscasse lembranças ancestrais, até que finalizou: “Nem tudo que reluz é luz. Apenas a chama que brota nos corações puros pode iluminar os passos. O amor tem o poder de sacralizar todos os atos e de transformar o mundo quando é a força motriz das escolhas. O maior segredo da vida é muito simples, Yoskhaz: escolhemos por puro amor ou escolheremos errado”.
O ESCUDO CONTRA O MAL. (Conto)
“Solicitar
ajuda das forças luminosas do Universo em prol de uma dificuldade da
qual não se tem nenhum controle é louvável, pois demonstra humildade”,
disse o Velho, como carinhosamente chamávamos o monge mais antigo da
Ordem, a um homem que veio ao mosteiro suscitar auxílio em uma situação
que lhe afligia. Em seguida alertou: “No entanto, pedir auxílio para que
façam o trabalho que lhe cabe, apenas
revela a falta de entendimento das Leis, pois não acontecerá. A vida não
endurece para maltratar, mas para ensinar. Não há privilégios, apenas
lições”
Como uma tempestade que chega sem anunciar, a vida desse homem parecia, de uma hora para outra, virada ao avesso. Brigas familiares insensatas e complicações profissionais que levaram à dificuldade financeira inesperada, eram as consequências imediatas e visíveis do inferno que ele vivia em solo terreno. Com os olhos mareados, se confessou desorientado para continuar na luta. Estávamos no refeitório, os três, e eu lhes servia café com bolo de milho. O homem, de ótima aparência e muito culto, narrou que até há poucas semanas navegava em águas tranquilas pelos mares da vida. Uma família aparentemente bem estruturada; sócio de uma empresa que gerava lucros suficientes para sustentar condição material bem acima da média. Até que, em algum momento, tudo desandou.
“A vida exige movimento. Assim, te fará caminhar por gosto ou imposição. A inércia e o comodismo são ferramentas das sombras a atolar o viajante. Aos que buscam incessantemente o aperfeiçoamento do próprio ser, a vida há de ser generosa, a fornecer todas as condições necessárias para o prosseguimento de uma viagem serena”, explicou o Velho. Deu uma pequena pausa, sorveu um gole de café e prosseguiu: “Aos que se iludem eleitos dos deuses, alheios a tudo e a todos, aos que se imaginam ‘escolhidos’, não tardará o desequilíbrio sobre as situações que o sustentam. A Lei do Serviço é parte do Código Não Escrito e obriga ao trabalho e ao progresso espiritual. Crises emocionais, brigas afetivas, desavenças familiares, dificuldades econômicas ou doenças, são alguns dos instrumentos de instabilidade utilizados pelo Universo para impor novo momento de adaptabilidade diante da realidade alterada. Agora a criatura caminhará por necessidade”.
“O Caminho é muito generoso em te permitir escolher as rotas da viagem, entretanto, muito justo em elaborar as dificuldades inerentes ao trajeto. O Mestre ensinou há milênios que devemos atravessar a porta estreita das virtudes. No entanto, muitos ainda escolhem seguir pela estrada larga das vantagens indevidas. Afagam o ego em prejuízo a alma. O resultado? Após os prazeres imediatos e transitórios, anda-se em círculos por trilhas cada vez mais escuras e esburacadas. Agonia e tristeza se apresentam como companheiras de viagem”. O homem, muito sensibilizado, confessou que, de fato, não vinha oferecendo o melhor de si. Aflito, perguntou ao Velho como poderia mudar a própria vida, pois não sabia para onde seguir. O monge arqueou os lábios em um sorriso repleto de compaixão e disse: “Quer um novo Caminho? Basta mudar o seu jeito de caminhar”.
“Problemas sinalizam a necessidade de mudanças. Entenda o que você precisa transformar em si e se dedique a isto com sinceridade. Só então chegará a ajuda da esfera invisível”.
O homem argumentou que sofria muito, não imaginava como fazer e, mais, a atual situação se mostrava tão nebulosa que não acreditava ser capaz de solucionar todos os problemas sem a ajuda das forças superiores. O Velho respondeu com a voz bondosa: “O Universo não quer que você sofra, porém exige que você evolua para chegar a próxima estação. Aprender, se transformar, compartilhar e seguir são momentos distintos de cada etapa nas inúmeras existências permitidas, como escolas de sabedoria e amor”.
O homem disse que precisava também de muita proteção, pois tudo de ruim parecia acontecer a ele naquele momento. O monge mordiscou um pedaço do bolo e falou: “Estamos sujeitos à inexorável Lei da Ação e Reação, uma das que compõe o Código Não Escrito. Ela atrai para a sua vida pessoas e situações que lhe são adequadas, não por punição, mas de acordo com o rigor necessário para o aprendizado do aluno, no mesmo diapasão de suas atitudes. O perfume da flor atrai pássaros e borboletas; o odor do esgoto chama para si os ratos e as baratas. Assim, escolhemos os que nos acompanham e definimos o destino próximo”.
“Ninguém está fora do alcance das Leis. Os guardiões ou anjos do Universo ficam impedidos de interferir em razão da situação conflitante ser parte da lição que cabe a você. Assim, você precisa se ajudar para ser ajudado. É uma grande ilusão achar que a casa do mal é o mundo. A sua raiz está em cada um de nós, em maior ou menor intensidade, a depender da expansão de consciência individual. Acredite, ninguém lhe prejudica mais do que você mesmo. Equalizar emoções e pensamentos nas ondas de Luz, envolvendo-os com amor, para que possam se materializar em boas atitudes é a defesa mais eficaz contra o mal. Pois, cria uma abóbada de proteção energética a sua volta, a permitir a aproximação de seus exércitos com maior rapidez, permissão e poder. Como pode ver, o melhor escudo contra o mal é um coração puro”.
“Nunca lhe faltará o auxílio. Entretanto, cada qual terá a ajuda na exata medida das suas necessidades de desenvolvimento, da vontade sincera de se transformar, de semear flores para quem vem atrás. Não podemos esquecer que as dificuldades nos trazem as lições indispensáveis para o aprimoramento da alma, muitas vezes ainda bem embrutecida, necessitando de métodos rigorosos de aprendizado”.
“Reflexões e meditações no encontro consigo próprio são ferramentas poderosas para a ampliação de consciência. Leituras auxiliam na criação de ideias e sustentação filosófica. As preces germinadas no coração são de extremo valor, pois auxiliam no equilíbrio emocional e o auxílio rogado, de algum jeito, nunca faltará, no entanto, não esqueça que santo nenhum dará os passos que cabem a você. A ajuda jamais chegará em forma de carroças repletas de ouro ou que a pessoa amada se dobre aos seus desejos. O auxílio vem através de sinais que indicam um novo sentido e aos ‘acasos’ que criam situações inimagináveis a fim de nos proteger. Ou por intermédio de intuições luminosas que indicam as indispensáveis metamorfoses da alma, as mudanças em seu sentir, pensar e agir”.
“Esta é a alquimia da vida: a transformação de sombras em luz, de dor em amor. Este é o mais precioso dos milagres e muitos nem se dão conta de que os têm na mão”.
Como um vício moderno, o homem reclamou da situação do planeta, que está tudo errado em todo lugar e do mal que parece campear sem rédeas. O monge mirou em seus olhos com doçura e falou: “Quando lamentamos o mundo, criticamos a nossa própria situação interna. O mal é fruto das sombras que habitam cada um de nós, nossas imperfeições e dificuldades, a formar um coletivo de iniquidades. Do contrário é também verdadeiro afirmar que somos a Luz na construção do bem e na manutenção da Obra. Através dos séculos o mundo sempre foi a exata fotografia de nossos corações. Do meu e do seu. Quer mudar o mundo? Transforme a si próprio. Como? Aperfeiçoe as suas escolhas”. O homem acenou com a cabeça em concordância, mais por desconcerto do que por satisfação.
Em seguida, tornou a lamentar a própria situação e insistiu que lhe fosse dito como, de forma objetiva, poderia reverter as atuais dificuldades. “Não faço a menor ideia”, disse o Velho. Diante do olhar atônito do homem, pediu para que eu lhe servisse mais um pouco de café e explicou: “Administrar a vida alheia é muito fácil e tentador, entretanto também demonstra leviandade e arrogância. O exercício da vida, com suas dores e delícias, é a ferramenta pessoal e intransferível de que dispomos para desenvolver as asas da alma, alavancar a nossa evolução. Entenda, aceite e use adequadamente a liberdade de buscar e decidir”.
“Apesar de nunca lhe faltar ajuda – e que sejamos claros, não para um desfecho mágico dos seus problemas, pois o auxílio não será na medida dos desejos do seu ego, mas das necessidades de sua alma, ou seja, por intermédio de condições para alterar, por si e através de si, a realidade – a parte mais importante do processo terá que ser feita por você, na ampliação de sua consciência, no burilar do coração, no desapego dos velhos conceitos. Medidas que refletirão no aprimoramento das suas escolhas”.
Observou o homem por alguns instantes e aconselhou: “Procure o silêncio e a quietude para ficar a sós consigo. Mergulhe fundo, conhecer a si próprio é a estrada para a plenitude. Estabeleça para si mesmo cláusulas invioláveis de amor e dignidade. Perceba o que precisa ser modificado em sua vida. Absolutamente tudo pode ser diferente e melhor. Todos os sábios já fizeram isso para romper a dureza do casulo e sentir as asas da liberdade”.
O Velho pediu para unirmos as mãos e fez uma prece sentida por amor e Luz. O homem agradeceu educadamente a conversa, a oração e partiu. A sós com o Velho, falei que tinha a impressão de que o visitante tinha ficado um tanto decepcionado. “Poucos aceitam os encargos e o trabalho que lhes cabem. Todavia, se as minhas palavras forem uma boa semente, cedo ou tarde germinará”, disse o monge. Deu uma pequena pausa e finalizou: “Na verdade, as transformações exigem grandes esforços que nem todos parecem dispostos a operar. Pensam ser mais fácil rogar por um milagre, que nunca virá, pois o bom educador não faz o dever do aluno. Roga-se por socorro para que se materialize um castelo de muros altos a garantir privilégios e mordomia, quando, na realidade, a ajuda sempre chegará em forma de ponte, toda vez que existir a vontade sincera do andarilho em caminhar e atravessar o abismo”.
Como uma tempestade que chega sem anunciar, a vida desse homem parecia, de uma hora para outra, virada ao avesso. Brigas familiares insensatas e complicações profissionais que levaram à dificuldade financeira inesperada, eram as consequências imediatas e visíveis do inferno que ele vivia em solo terreno. Com os olhos mareados, se confessou desorientado para continuar na luta. Estávamos no refeitório, os três, e eu lhes servia café com bolo de milho. O homem, de ótima aparência e muito culto, narrou que até há poucas semanas navegava em águas tranquilas pelos mares da vida. Uma família aparentemente bem estruturada; sócio de uma empresa que gerava lucros suficientes para sustentar condição material bem acima da média. Até que, em algum momento, tudo desandou.
“A vida exige movimento. Assim, te fará caminhar por gosto ou imposição. A inércia e o comodismo são ferramentas das sombras a atolar o viajante. Aos que buscam incessantemente o aperfeiçoamento do próprio ser, a vida há de ser generosa, a fornecer todas as condições necessárias para o prosseguimento de uma viagem serena”, explicou o Velho. Deu uma pequena pausa, sorveu um gole de café e prosseguiu: “Aos que se iludem eleitos dos deuses, alheios a tudo e a todos, aos que se imaginam ‘escolhidos’, não tardará o desequilíbrio sobre as situações que o sustentam. A Lei do Serviço é parte do Código Não Escrito e obriga ao trabalho e ao progresso espiritual. Crises emocionais, brigas afetivas, desavenças familiares, dificuldades econômicas ou doenças, são alguns dos instrumentos de instabilidade utilizados pelo Universo para impor novo momento de adaptabilidade diante da realidade alterada. Agora a criatura caminhará por necessidade”.
“O Caminho é muito generoso em te permitir escolher as rotas da viagem, entretanto, muito justo em elaborar as dificuldades inerentes ao trajeto. O Mestre ensinou há milênios que devemos atravessar a porta estreita das virtudes. No entanto, muitos ainda escolhem seguir pela estrada larga das vantagens indevidas. Afagam o ego em prejuízo a alma. O resultado? Após os prazeres imediatos e transitórios, anda-se em círculos por trilhas cada vez mais escuras e esburacadas. Agonia e tristeza se apresentam como companheiras de viagem”. O homem, muito sensibilizado, confessou que, de fato, não vinha oferecendo o melhor de si. Aflito, perguntou ao Velho como poderia mudar a própria vida, pois não sabia para onde seguir. O monge arqueou os lábios em um sorriso repleto de compaixão e disse: “Quer um novo Caminho? Basta mudar o seu jeito de caminhar”.
“Problemas sinalizam a necessidade de mudanças. Entenda o que você precisa transformar em si e se dedique a isto com sinceridade. Só então chegará a ajuda da esfera invisível”.
O homem argumentou que sofria muito, não imaginava como fazer e, mais, a atual situação se mostrava tão nebulosa que não acreditava ser capaz de solucionar todos os problemas sem a ajuda das forças superiores. O Velho respondeu com a voz bondosa: “O Universo não quer que você sofra, porém exige que você evolua para chegar a próxima estação. Aprender, se transformar, compartilhar e seguir são momentos distintos de cada etapa nas inúmeras existências permitidas, como escolas de sabedoria e amor”.
O homem disse que precisava também de muita proteção, pois tudo de ruim parecia acontecer a ele naquele momento. O monge mordiscou um pedaço do bolo e falou: “Estamos sujeitos à inexorável Lei da Ação e Reação, uma das que compõe o Código Não Escrito. Ela atrai para a sua vida pessoas e situações que lhe são adequadas, não por punição, mas de acordo com o rigor necessário para o aprendizado do aluno, no mesmo diapasão de suas atitudes. O perfume da flor atrai pássaros e borboletas; o odor do esgoto chama para si os ratos e as baratas. Assim, escolhemos os que nos acompanham e definimos o destino próximo”.
“Ninguém está fora do alcance das Leis. Os guardiões ou anjos do Universo ficam impedidos de interferir em razão da situação conflitante ser parte da lição que cabe a você. Assim, você precisa se ajudar para ser ajudado. É uma grande ilusão achar que a casa do mal é o mundo. A sua raiz está em cada um de nós, em maior ou menor intensidade, a depender da expansão de consciência individual. Acredite, ninguém lhe prejudica mais do que você mesmo. Equalizar emoções e pensamentos nas ondas de Luz, envolvendo-os com amor, para que possam se materializar em boas atitudes é a defesa mais eficaz contra o mal. Pois, cria uma abóbada de proteção energética a sua volta, a permitir a aproximação de seus exércitos com maior rapidez, permissão e poder. Como pode ver, o melhor escudo contra o mal é um coração puro”.
“Nunca lhe faltará o auxílio. Entretanto, cada qual terá a ajuda na exata medida das suas necessidades de desenvolvimento, da vontade sincera de se transformar, de semear flores para quem vem atrás. Não podemos esquecer que as dificuldades nos trazem as lições indispensáveis para o aprimoramento da alma, muitas vezes ainda bem embrutecida, necessitando de métodos rigorosos de aprendizado”.
“Reflexões e meditações no encontro consigo próprio são ferramentas poderosas para a ampliação de consciência. Leituras auxiliam na criação de ideias e sustentação filosófica. As preces germinadas no coração são de extremo valor, pois auxiliam no equilíbrio emocional e o auxílio rogado, de algum jeito, nunca faltará, no entanto, não esqueça que santo nenhum dará os passos que cabem a você. A ajuda jamais chegará em forma de carroças repletas de ouro ou que a pessoa amada se dobre aos seus desejos. O auxílio vem através de sinais que indicam um novo sentido e aos ‘acasos’ que criam situações inimagináveis a fim de nos proteger. Ou por intermédio de intuições luminosas que indicam as indispensáveis metamorfoses da alma, as mudanças em seu sentir, pensar e agir”.
“Esta é a alquimia da vida: a transformação de sombras em luz, de dor em amor. Este é o mais precioso dos milagres e muitos nem se dão conta de que os têm na mão”.
Como um vício moderno, o homem reclamou da situação do planeta, que está tudo errado em todo lugar e do mal que parece campear sem rédeas. O monge mirou em seus olhos com doçura e falou: “Quando lamentamos o mundo, criticamos a nossa própria situação interna. O mal é fruto das sombras que habitam cada um de nós, nossas imperfeições e dificuldades, a formar um coletivo de iniquidades. Do contrário é também verdadeiro afirmar que somos a Luz na construção do bem e na manutenção da Obra. Através dos séculos o mundo sempre foi a exata fotografia de nossos corações. Do meu e do seu. Quer mudar o mundo? Transforme a si próprio. Como? Aperfeiçoe as suas escolhas”. O homem acenou com a cabeça em concordância, mais por desconcerto do que por satisfação.
Em seguida, tornou a lamentar a própria situação e insistiu que lhe fosse dito como, de forma objetiva, poderia reverter as atuais dificuldades. “Não faço a menor ideia”, disse o Velho. Diante do olhar atônito do homem, pediu para que eu lhe servisse mais um pouco de café e explicou: “Administrar a vida alheia é muito fácil e tentador, entretanto também demonstra leviandade e arrogância. O exercício da vida, com suas dores e delícias, é a ferramenta pessoal e intransferível de que dispomos para desenvolver as asas da alma, alavancar a nossa evolução. Entenda, aceite e use adequadamente a liberdade de buscar e decidir”.
“Apesar de nunca lhe faltar ajuda – e que sejamos claros, não para um desfecho mágico dos seus problemas, pois o auxílio não será na medida dos desejos do seu ego, mas das necessidades de sua alma, ou seja, por intermédio de condições para alterar, por si e através de si, a realidade – a parte mais importante do processo terá que ser feita por você, na ampliação de sua consciência, no burilar do coração, no desapego dos velhos conceitos. Medidas que refletirão no aprimoramento das suas escolhas”.
Observou o homem por alguns instantes e aconselhou: “Procure o silêncio e a quietude para ficar a sós consigo. Mergulhe fundo, conhecer a si próprio é a estrada para a plenitude. Estabeleça para si mesmo cláusulas invioláveis de amor e dignidade. Perceba o que precisa ser modificado em sua vida. Absolutamente tudo pode ser diferente e melhor. Todos os sábios já fizeram isso para romper a dureza do casulo e sentir as asas da liberdade”.
O Velho pediu para unirmos as mãos e fez uma prece sentida por amor e Luz. O homem agradeceu educadamente a conversa, a oração e partiu. A sós com o Velho, falei que tinha a impressão de que o visitante tinha ficado um tanto decepcionado. “Poucos aceitam os encargos e o trabalho que lhes cabem. Todavia, se as minhas palavras forem uma boa semente, cedo ou tarde germinará”, disse o monge. Deu uma pequena pausa e finalizou: “Na verdade, as transformações exigem grandes esforços que nem todos parecem dispostos a operar. Pensam ser mais fácil rogar por um milagre, que nunca virá, pois o bom educador não faz o dever do aluno. Roga-se por socorro para que se materialize um castelo de muros altos a garantir privilégios e mordomia, quando, na realidade, a ajuda sempre chegará em forma de ponte, toda vez que existir a vontade sincera do andarilho em caminhar e atravessar o abismo”.
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