terça-feira, 29 de março de 2011

...

No brilho do crepúsculo eu vejo
A garota de olhos grandes "chorando na chuva"
Quando nós nos beijamos...despedimos e nos separaramos
Eu sabia que nunca iria encontra-la novamente...
O amor é como uma brasa morrendo
Apenas as memórias permanecem
Através dos tempos eu me lembro
Da garota de olhos grandes "chorando na chuva"
Algum dia, quando nos encontrarmos...
Vamos passear de mãos dadas novamente
Em uma terra que não conhece a despedida


terça-feira, 22 de março de 2011

Olá...

Olá ao mundo. Olá a todos. Queria saber se estão bem? Sim? Ainda bem. Pergunto despreocupadamente por todos e por ninguém, à espera de respostas bem-dispostas e carregadas de energia para ver se recarrego a minha “low energie”. Por vezes sinto a minha intolerância ao mundo, às pessoas, ao relacionamento inter-pessoal, a mim próprio, e, cultivo mais do frequentemente, a semente da amizade, para esconder o estado catatónico de hipnose relacional em que me encontro. Também é verdade que o tempo do mundo à muito se esgotou para todos, passando toda a gente a correr a dizer “olá mundo”. A parte que menos tem piada é quando fazemos a auto-análise do comportamento relacional de amizades ou familiar e concluímos a perda de qualidade dessa mesma relação, ou porque os tempos bons já lá vão, ou pior, porque estamos absorvidos pelo molusco “pólvico” da sociedade e da necessidade de acumular o bolor que está no dinheiro e consequentemente também o próprio dinheiro. Bem, modéstia à parte, ainda tenho a capacidade de no fim de um dia pensar nas imperfeições que me manipulam o comportamento e vou tentando limar arestas, passando à prática e promovendo contactos profícuos de amizade. Não sei se bem, se mal, há coisas que vão mudando, e no outro dia dei-me conta da perda da minha famosa ginástica mental (famosa para mim) em termos matemáticos, e toca de tentar a todo custo recuperar os tempos perdidos, e toca de exercitar a mente, e toca de absorver mais conhecimento e queimar pestanas e cansar neurónios (ou as suas ligações). Outra coisa que faço pior é a recuperação pós-desporto, em que os meus amigos do dia a seguir são, não necessariamente por esta ordem, o Brufen, o Aspegic e o Reumongel. Lá está a substituição de amigos de carne viva por amigos químicos. Isso não é bom. Depois vem a miserável, e que miserável, falta de originalidade, criatividade e aquela tirada “coelho da cartola” que são cada vez menos frequentes. Triste. Então o slogan pode passar a ser muito bem, “resolve a inércia da tua alma para que treines o espírito e a mente em busca de melhores automatismos, e, não te esqueças de dizer olá ao mundo todos os dias”. Podia ser sim senhor.


segunda-feira, 21 de março de 2011

La différence pt2

Diferenças. Ser diferente em alguma coisa é ser igual a todos. Às vezes a diferença irrita-me e sobressalta-me, de tal forma que um vaso azul é diferente de um vaso amarelo, e isso, perturba-me. Perturba-me também o fato de eu próprio ser pouco tolerante às diferenças entre nós. Por norma escolhemos os mais iguais, os que apontam aos pontos semelhantes de nós mesmos, pelo menos na forma de ser, no pensamento, na atuação. Os que nos são quase iguais remam da mesma forma que nós, identificando-se pelo cheiro, pela postura, pelo mesmo dialeto, não sendo raras as vezes, em que nos isolamos em pequenos bandos para definir estratégias concertadas de sobrevivência e modos de viver. Os meus semelhantes são por norma pessoas de caráter forte e definido, retos, de nariz bem levantado, honestos, leais, justos e amigo de todos os outros semelhantes da alcateia. Os diferentes, são tão diferentes, que não podem coabitar connosco, passando pelo lado de fora da nossa matilha, sofrendo cedo ou tarde, uma exclusão própria, voluntaria ou não, do nosso círculo. A sociedade divide-se em pequenos grupos, por vezes apenas familiares (lá está o cheiro), por vezes com interesses comuns (até interesses incomuns), às vezes por obrigações. De fato o Homem, ser habituado a viver em sociedade, sofre cada vez mais da doença exclusão, definha com a solidão e apodrece com a falta do afeto e calor de outros humanos. A exclusão é descrita na bíblia como o demónio, a solidão é o inferno, a frieza é o ambiente inóspito que se gera à nossa volta. A capacidade de excluir, de desprezar, é uma das armas mais evoluídas construída pelos homens, pelo seu requinte de malvadez inerente a uma estupidez quase inata e natural. Lamento ter alguns defeitos que não consigo eliminar, lamento a perturbação da minha intolerância pelo diferente, pelo oposto, por não gostar nem aceitar os que não são do meu cheiro. Lamento. Luto contra a minha mais reles herança genética de gerações e gerações, e palavra, que tento eliminar não os diferentes, mas a minha diferença. Amanhã vou conseguir tolerar a diferença aproximando as gentes, cultivando a capacidade em aprender com o outro, respeitando as ideias do outro, como eu, diferente.



quinta-feira, 17 de março de 2011

Opção

Podia ter optado por te beijar, por te tocar, por desatar a paixão e soltar-me em ti. Podia ter voltado imprevisto e ter ficado por teimosia, repassar onde já tinha passado só para ver se te via, se te chamava a atenção. Queria o destino tivesse escolhido a tua boca pelos meus olhos, que raramente te viam mas que conheciam o misterioso sabor a hortelã fresca que também cheirava a manhã fresca de primavera a estrear. Por ora, queria que as horas pudessem voltar ao momento em que olhei os teus princípios e optei por ficar, por te falar, por te prender a mim como quem prende um furacão. Amarre-se o coração por uma opção que não é de um vida, mas de uma paixão, maior que a própria razão, situação ou opção. Hoje queria que os astros me tornassem a virar de página, a mudar o vento, me prendessem de contra as estrelas e luas, tirando-me a opção de ficar à tua beira. Li, que tenho a arbitrariedade de decidir, de julgar as minhas decisões, de me juntar a ti, mesmo que não queira. Que o tempo me leve se não te amo, que me rasgue o céu, que me atire da terra se não sou eu quem te quero acima de tudo o que existe, que a paz de mim se transforme em alma por ti. Não posso em consciência responder por mim, pela vontade, pela mentira em que a minha opção se tornou, por ter ido por ali. Mesmo que a vida mude, não quero ser mais uns olhos sem ti, sem a tua boca, sem tudo o que está à volta disso, e por isso, opto por ti, por mim, porque sim, por tudo o que está em ti. Opto porque posso, porque quero, porque posso lá chegar e te amar.


17 dias sem você...




um breve conto

terça-feira, 15 de março de 2011

vida em alguns segundos.

Terrível. A rigidez que se apodera de nós perante a adversidade, o medo, a apatia provocada pelo desconhecido. Muitas vezes o empurrão quase mortal obriga ao salto, à corrida, à prova obrigatória que não queríamos inicialmente traçar, mas que nos foi imposta pela necessidade de sobrevivência. Por vezes questiono-me se vale a pena esta batalha inconsequente em que me meto todos os dias, sujeito a levar um tiro no meio do peito ou pior ainda, no rabo. Todo o santo dia é dia de dificuldade, de constantes avanços e recuos, de dúvidas, de corridas loucas sem direcção, nas quais raramente fico bem classificado. Nem sei porque não paro e desisto. Mas para que é que continuo nesta parvalheira desenfreada que nunca me leva a lado nenhum? Não digo que morresse, mas mudava de identidade, e começava tudo de novo, com ganas, como se tivesse 18, como se fosse o centro do mundo, onde ninguém me conhece, quando ninguém me pudesse parar. As cidades grandes têm essa vantagem, de começar quantas vezes queres, onde queres, onde tens a vantagem de chegar a lugares onde já estiveste, mas que ninguém te reconhece. Podes ser quem quiseres, vestires o que gostares, vaguear, mudar, sentir o vento da liberdade. Ou não? Será ilusão? Poderei antes viver num meio pequeno, onde trabalhe para o povo, em pequenas tarefas, que sejam o suficiente para sobreviver pelo vinho, pelo pão, pelos dias um a um, devagar. O que mais custa, é dizer aos pais que queremos ser únicos e diferentes, e mudar tudo num segundo, por um segundo, por mim e por ti, por nós, pelo mundo, pela vontade de gritar e de sentir a água fresca sempre que nos apetecer. Eles nunca aceitam e ficam apavorados com o nosso fracasso, com a nossa irracionalidade, com o desrespeito dos costumes e regras. Nem sei bem o que fazer, mas apetecia-me mudar tudo, baralhar e dar de novo, sem pensar em consequências ou na vida. Mudar pelo amor ao risco, à paixão de mudar, dar o peito às balas, e no fim, viver a vida num segundo…




segunda-feira, 14 de março de 2011

Noites Escuras

Percorri o mundo pelo dia. Passava horas com medo da noite. Ficava com medo que o escuro me cobrisse e me levasse para longe dos meus pais, dos meus irmãos, para longe de mim. Encontrava-me sempre coberto pelos cobertores, refugiado, ironicamente no escuro, do escuro. Era um medo terrível que a mão invisível da negridão me levasse para outro mundo. Ainda me lembro, quando descalcinho ia aos saltitos para a cama, esperançoso que o sono chegasse primeiro que a escuridão. A luz do corredor era a fada protetora, a minha salvação e guardiã do meu sono. Estava sempre ligada e presente, velando pelo meu transe noturno e restaurador. A sua presença deixava-me sempre a esperança que tudo estava bem, e mais importante, ia acabar bem quando nascesse o sol, quando voltasse a luz. Precisava de acreditar nisso quando ia para dentro da cama fria, naquela terrível missão de a aquecer. A angústia das nove e meia, quase por si só, expulsava o sono claro e trazia a insónia negra. Isto são memórias do meu quarto, de mim pequenino, medroso e ansioso pela alegria. Lembro-me tão bem disso, quantas são as saudades, daquelas noites tão escuras.


domingo, 13 de março de 2011

...

Hold me darling just a little while.
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
Well now she's gone even though I hold her tight...
I lost my love, my life that night.
Oh where, oh where, can my baby be?
...so I've got to be good,
So I can see my baby when I leave this world.

13 days without you...

sexta-feira, 11 de março de 2011

...

Em um quarto escuro...está ferido e despedaçado resto do meu amor traído
E a inocência de uma criança que é comprada e vendida, em nome "dos malditos". A sua falta de vontade de lutar e persistir deixou o silêncio e frio...
Perdoe-me, por favor, pois eu não sei o que faço. Como posso sentir mágoa que eu sei, é verdade.
Me diga quando o beijo do amor virar uma mentira! Por trás dessa cicatriz se esconde bem lá no fundo o medo de correr até você. Por favor, deixe que haja luz nesse quarto escuro. E todos momentos preciosos colocados de lado novamente! E o sorriso da madrugada traz a mancha da luxúria cantando meu réquiem...
Como posso encarar o dia enquanto sou torturado por aquilo que acredito e assistir isso cristalizando enquanto minha salvação vira pó?
Por que não posso guiar o navio antes dele encontrar a tempestade? Eu cai no mar, mas eu ainda nado em busca da praia...

terça-feira, 1 de março de 2011

Cartas da Guerra




Ela foi até a caixa postal
Num dia daquele verão luminoso
Achou uma carta de seu filho
Numa guerra, muito longe.

Ele falou sobre o clima
E dos amigos que fez
Ele disse: " Eu estava pensando no papai
E na vida que ele teve,
Isto é porque eu estou aqui."
Então no fim ele disse
"Você é por quem eu estou lutando"
Esta foi a primeira das suas cartas da guerra.

Ela começou a escrever

Você é bom, e valente
Como o pai que você será algum dia
Volte são e salvo.

Ela escreveu e rezou todas as noites.

Depois em Dezembro
Um dia que ela jamais esquecerá
suas lágrimas molharam o papel
Com cada palavra que ela leu

Ela dizia: " Eu estava no alto de uma colina
Eu estava sozinho lá
Quando os tiros foram disparados
E as bombas explodiram
E quando eu o vi
Ele veio até mim,
Mesmo que ele fosse capturado
Um homem me libertou
Aquele homem era seu filho
Ele me pediu para escrever para você
Eu disse que sim, Oh, é claro."
Esta foi a última das suas cartas da guerra.

E ela orou para que ele estivesse vivo
Continuou acreditanto e escreveu todas as noites só para dizer

Você é bom, e valente
Como o pai que você será algum dia
Volte são e salvo.

Ainda, ela permaneceu escrevendo todos os dias.

Então dois meses depois
Folhas de outono por todos os lados
Um carro veio pela estrada
E ela caiu no chão
Então parou um Capitão
Onde seu garotinho costumava ficar.

Ele disse: "mamãe, eu estou seguindo as ordens
De todas as suas cartas
E eu voltei para casa de novo."
Ele correu para abraça-la
Deixou todas suas malas no chão
Segurando todas as cartas da guerra dela.

Traga-o para casa...