segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

.....


Quando se ama, as diferenças pouco importam... as aparências não assustam.
Quem sabe um dia as pessoas percebam isso.
E, quem sabe um dia... elas deixem de amar com os olhos, para aprender a amar com o coração.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

...W






A única diferença é que agora eu podia beber de vez em quando, embora nunca o suficiente. A bebida era a única coisa que impedia um homem de se sentir para sempre atordoado e inútil. Todo o resto ia furando e furando sua carne, arrancando seus pedaços. E nada tinha o menor interesse, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses fodidos pelo resto da minha vida, pensei.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Cold Answer...


"There's a room in everyone
Where a cold answer can be found
And if a word can knock down a wall
Then this house is just a box on the ground

Wonder if we're speaking the same language
Nothing I hear makes much sense at all
And I could never shake this foreign feeling
And you could never tell me what it's called..."

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

...



''A maior sina de um lobo, talvez seja, em seu eu mais profundo, ser solitário.
Mesmo um lobo vivendo em grupo possui seu espírito independente, que quando ferido, clama por uma jornada para bem longe de tudo e de todos, onde apenas a própria sombra o segue como companhia.''

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O Silêncio dos Lobos


Pense em alguém que seja poderoso...
Essa pessoa briga e grita como uma galinha,
ou olha e silencia, como um lobo?
Lobos não gritam.
Eles têm a aura da força e do poder.
Observam em silêncio.
Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe.
Sorria.
Silencie.
Vá em frente.
Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar.
Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.
Não é verdade !
Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.
Você nem mesmo é obrigado a atender o seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio.
Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:
"Arrependo-me de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio".
Responda com o silêncio, quando for necessário.
Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.
Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.
E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.

DESCONSTRUÇÕES


Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela “vende” de si mesma.
É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa “inventou” um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.
Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente “venda” mais nossas qualidades que defeitos.
Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.
Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia.
Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.
A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Eu e Ela...


I was the sun and she was the moon
I was a desert and she was an island
I was war and she was peace
I was disaster and she was beauty
I was sorrow and she was happiness
I was death and she was life

She was my salvation, I was her destruction...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

pai...

Já percebeu que nas histórias em quadrinhos e nos desenhos animados o herói está sempre disposto a salvar, a ajudar, a socorrer?

Nessas histórias, o personagem herói é sempre incansável, não mede esforços para ajudar, e é capaz de esquecer das suas vontades e desejos quando precisa agir.

Porém, você se deu conta de que esses heróis também existem no mundo real? Já conseguiu perceber que a vida está repleta desses grandes heróis?

Como alguns heróis dos quadrinhos, esses também, que encontramos no nosso cotidiano, não fazem questão da fama e do sucesso. Eles preferem o prazer do anonimato, onde a glória e a fama são plenamente substituídas pelo sentimento do dever cumprido.

São heróis nossos de cada dia, todos aqueles capazes de chegar ao lar, após um dia intenso, onde o peso do mundo parece descer sobre os ombros, e ainda ter disposição para brincar de pega-pega ou de cavalinho, com os pequenos que os esperam ansiosos.

Não há como não chamar de heróis aqueles capazes de deixar de lado relatórios, e-mails e trabalhos, abrindo mão dos compromissos profissionais levados para casa, somente para escutar as aventuras e sonhos do universo infantil.

É um heroísmo ser capaz de não perder a sensibilidade com as lutas da vida e os compromissos que se sucedem, e entender que o tempo gasto para responder sobre a cor do céu ou as dúvidas mais surpreendentes da vida não é perda de tempo, mas investimento na vida daquele que ama.

Esses heróis são capazes de ensinar com a leveza da alma e a firmeza do agir, sobre os valores da vida, sobre a honestidade, o respeito ao próximo e a retidão do caráter como indispensáveis para a vida.

E para nos ensinar essas coisas, como todo bom herói, esses não gostam do discurso, da frase feita ou do grande diálogo. Ensinam-nos pela melhor pedagogia: a do exemplo.

Nossos heróis anônimos são capazes de dar uma escapadinha da correria do cotidiano só para ver um jogo de bola, ou uma singela apresentação musical, ou uma declamação de poesia que seja... Mesmo que ela tenha não mais que quatro versos.

Fazem não por eles, mas porque sabem que, para seus filhos, isso é muito importante.

E fazem tudo isso porque sabem que eles não são heróis feitos para salvar vidas. Eles entenderam, desde há muito, que Deus os fez heróis diferentes. São heróis que constroem vidas.

Por isso são capazes de achar importante as coisas mais simples, quando as coisas simples são importantes para seus filhos.

São capazes de esquecer seu cansaço, compromisso ou o seu lazer, para fazer do lazer dos filhos, o seu lazer.

Eles são heróis porque entendem que tudo isso que fazem hoje, talvez os filhos não entendam, nem consigam reconhecer e agradecer, mas um dia fará toda a diferença.

Eles, os nossos heróis, nunca se cansam e nunca desistem da sua poderosa missão. Isso porque dentro deles há um combustível mágico que os move, tão mágico que quanto mais eles usam, mais se multiplica: o combustível do amor.

E alguns de nós ainda temos a grande felicidade de chamar esses heróis por uma outra palavra: pai.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

sem título, de novo...

Day after day
Fickle visions messing with your head
Fickle, vicious
Sleeping in your bed
Messing with your head
Fickle visions
Fickle, vicious...

terça-feira, 29 de setembro de 2015

...

Eu fiquei lá fora noite passada. Tentei ignorar o silêncio, que outrora me fazia bem, mas o ar vazio era como uma boca aberta sobre minha cabeça. No fim, eu me dei conta de que teria que dormir. Se alguém quisesse "me matar", eu morreria. E eu dormi bem como não dormia há anos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Uma boa Morte


Uma Boa Morte

Magga estava para morrer pela décima quarta vez. Ela mordiscou uma maçã podre — mais uma vez. Sua polpa, como sempre, a infectou com putrinumbra. A atriz fez os movimentos de cair para sua morte enquanto proferia suas palavras finais para que todos ouvissem.
"Oh, mas que sonho maravilhoso é a vida? Só agora–tarde demais!–desperto e vejo sua míriade de esplendores", ela lamentou.
Com uma vaporada de fumaça e de pólvora, Kindred fez uma grande entrada no palco. Por tradição, eles são interpretados por um único ator com a cabeça coberta por ambas as máscaras. Ele aproximou-se de Magga com a máscara branca da Ovelha fitando-a.
"Atenção! Ouço um apelo pela minha flecha mais penetrante? Venha, criança, deixe que o calor do seu coração seja dissipado no frio abraço do oblívio".
Magga recusou, como fez nas treze vezes anteriores. Qualquer nuance em sua performance estava sobre a entrega ensurdecedora de seu grito. Com a deixa, a Ovelha virou, revelando a segunda máscara — a do Lobo.
"Não há o que possa ser feito para impedir o fim", rosnou o Lobo.
"Sou apenas uma jovem donzela! Por favor, deixe que meu choro lastimável caia sobre todos os quatro ouvidos de vossas mercês".
O público parecia extasiado pelo desenrolar da trama de Mecânicas de Orphellum. Com as ameaças gêmeas da praga e da morte nas línguas dos protetorados vizinhos, os dramas de morte eram o último grito.
Denji, o ator interpretando a Ovelha e o Lobo, desceu até a jovem atriz, desajeitadamente expondo as presas de madeira. Magga ofereceu seu pescoço. Com a ameaça da mordida do Lobo, ela ativou o dispositivo costurado no colarinho de sua blusa. Laços de tecido vermelho desenrolaram-se para a surpresa da plateia. Eles receberam o que queriam.
Quando o pessoal voltou às suas carruagens e saíram na direção de Riachoagulha, não era possível ver estrela alguma. Em vez disso, um véu de nuvens estendeu-se pelo céu noturno.
Riachoagulha sempre teve um bom público, Illusian, o dono da empresa e único dramaturgo, explicou mais uma vez. Ele cambaleou, embriagado em seus próprios elogios––bem como no vinho que Parr conseguiu dos locais.
A noite continuou e a trupe começou a brigar. Tria e Denji criticavam o escritor sobre a qualidade de suas tramas que tinham uma estrutura previsível: uma tragédia atinge a donzela, a morte encontra a donzela, a morte leva a donzela. Illusian argumentou que tramas complicadas desvirtuavam uma boa cena de morte.
Magga, a mais nova do grupo, concordou com o diagnóstico de Tria e Denji, mas manteve sua boca calada. Caso não tivesse entrado clandestinamente no vagão da trupe itinerante, ela certamente estaria em uma situação muito ruim. Para sua sorte, o espetáculo recentemente perdeu alguns atores devido à insistência de Illusian de completar o controle artístico. Devido à sua personalidade––e óbvia mediocridade––eles estavam com falta de rostos novos. Então, a Mecânicas de Orphellum concordou em contratar Magga para morrer em todas suas peças no futuro próximo. Ela ficou muito agradecida por isso.
Illusian ainda estava irritado com as palavras de Denji e Tria quando pediu a Parr, seu condutor, que parasse e montasse acampamento. O escritor embriagado preparou seu saco de dormir com orgulho próximo à carruagem. Ele então jogou o resto dos sacos na grama próxima.
"Atores ingratos podem dormir na floresta", Illusian desferiu, "onde espero que encontrem sua educação".
O resto da trupe preparou uma fogueira e trocou histórias. Denji e Tria dormiram nos braços um do outro enquanto balbuciavam potenciais nomes no ouvido um do outro para o filho que estava por vir. Eles falaram sobre o dia que a companhia viajante pararia em Jandelle, uma cidade tão perfeita e pacífica que eles deixariam suas vidas errantes para criar seu filho.
Magga aproximou-se do fogo crepitante para que seus ruídos abafassem as namorações incômodas de seus companheiros de viagem.
Mas o sono nunca chegou. Em vez disso, Magga virou-se e revirou-se, pensando sobre a reação nos rostos da plateia quando o sangue fluísse de seu pescoço. Uma linda donzela morta por sua inocência era a pompa teatral que Illusian podia bolar, mas a multidão ansiava pela fachada aterrorizante.
Eventualmente, ela deixou seu saco de dormir e foi até a mata para acalmar sua mente confusa.
Na calada da noite, Magga chegou em um monte com pouca grama e placas de madeira em sua base. Apesar de não conseguir ler as inscrições, seus dedos tatearam os inscrições familiares das máscaras gêmeas dos Kindred. Este era um local dos mortos, um local de sepultamento criado há muito tempo.
Ela sentiu um frio atrás do pescoço que a compeliu a olhar para cima. Ela não estava sozinha. Magga imediatamente entendeu o que viu, pois havia encontrado uma interpretação bruta deles dia após dia. Porém, o pobre Denji não poderia instigar o pavor que tomara Magga. À sua frente, empoleirada em um carrinho desgastado, estava a Ovelha, acompanhada de seu fiel companheiro, o Lobo.
"Ouço um coração batendo!" — disse o Lobo, com os olhos negros brilhando em deleite. "Posso tê-la?"
"Talvez", respondeu a Ovelha. "Sinto que ela está com medo. Diga, formosa. Diga-nos seu nome".
"Di-diga-me o seu primeiro", gaguejou Magga, andando para trás. Sua fuga lenta foi parada pelo rápido Lobo, que materializou-se inquietantemente atrás dela.
Ele disse diretamente em seus ouvidos. "Temos muitos nomes".
"No oeste, sou Ina e ele é Ani", disse a Ovelha. "No leste, sou Farya e ele é Wolyo. Porém, somos os Kindred em toda parte. Sempre sou a Ovelha para o Lobo e ele sempre é o Lobo para a Ovelha".
O Lobo retrocedeu e cheirou o ar.
"Ela está jogando um jogo entediante", disse o Lobo. "Vamos jogar um novo jogo, um de perseguir e correr e morder".
"Ela não vai jogar, querido Lobo", disse a Ovelha. "Ela está assustada e perdeu seu próprio nome. Ele se esconde por trás de seus lábios, com medo de sair. Não se preocupe, querida criança, encontrei seu nome. O conhecemos como você nos conhece, Magga".
"P-por favor", Magga sussurou. "Esta noite não é uma boa noite para––"
A grande língua rosada do Lobo rolou para o lado de sua boca e ele começou a gargalhar.
"Todas as noites são boas para atacar", disse o Lobo enquanto ria.
"Todos os dias também", disse a Ovelha. "Com a luz vem um tiro certeiro".
"Não tem lua hoje!", gritou Magga. Ela utilizou o que Illusian ensinou a ela––gesticular grandiosamente para que aqueles no fundo pudessem ver seus movimentos. "Ela está escondida por uma manta de nuvens, escondida dos meus e dos seus olhos. Sem a lua, o que poderia ser a última coisa que eu veria?"
"Nós vemos a lua", respondeu a Ovelha, enquanto ela acariciava seu arco. "Ela está sempre ali".
"Não tem estrelas!", disse Magga, tentando novamente, desta vez com gesticulações menores e falando mais baixo. "Sem diamantes brilhantes, reluzentes à tonalidade da meia-noite. Qual vista mais bonita alguém poderia esperar para o encontro com a Ovelha e o Lobo?"
"Essa tal de Magga está fazendo um novo jogo", grunhiu o Lobo. "É conhecido como ‘adiamento’".
O Lobo parou de se mover e pendeu sua cabeça para o lado. Ele virou seu focinho para Magga antes de falar. "Podemos brincar de ‘Perseguir a Tal da Maga e Mordê-la em Pedacinhos?’". O Lobo fechou sua mandíbula sonoramente.
"Vamos perguntar a ela", disse a Ovelha. "Magga! Você prefere a perseguição do Lobo ou minha flecha?"
Magga estava tremendo. Seus olhos correram por todos os detalhes do mundo ao seu redor. Não era um local tão ruim para partir. Tinha a grama. Tinha as árvores. Tinha a arcada ancestral. Tinha uma tranquilidade no ar.
"Prefiro a flecha da Ovelha", ela disse, olhando para as cascas ásperas das árvores. "Imagino-me escalando os galhos mais altos, como quando eu era uma criança. Porém desta vez, nunca vou parar de subir. É isso o que significa ir com você?"
"Não", disse a Ovelha, "apesar de ser um bom pensamento. Não tenha medo, pequena donzela, estamos apenas nos divertindo. Você veio a nós esta noite; não viemos por você".
"Não posso perseguir a tal da Magga", disse o Lobo, com um tom de desapontamento em sua voz. "Porém, existem outras coisas por perto. Outras coisas prontas para a perseguição e para as mordidas. Vamos logo, Ovelha. Estou faminto".
"Por agora, saiba que sua encenação nos agradou e que vamos assisti-la até chegar o dia de nos encontrarmos novamente".
O Lobo passou por Magga e desapareceu na floresta. A besta sombria desvaneceu por entre os campos de grama alta. Magga olhou novamente para o monte desgastado. A Ovelha se foi.
A atriz escapou.
Quando Magga voltou ao acampamento, ela o encontrou em ruínas. A carruagem que ela mal começara a chamar de lar foi saqueada e reduzida a lascas em brasa. Pedaços de tecido e acessórios arruinados encontram-se espalhados pelo acampamento.
Ela encontrou o corpo de Denji próximo de onde ele dormia. Ele morreu protegendo Tria, cujo cadáver estava atrás dele. Julgando pelos traços de sangue, suas mortes não foram lentas. Eles se arrastaram para perto um do outro, seus dedos entrelaçados em um último afeto antes da morte.
Magga notou que Illusian conseguiu matar dois dos bandidos antes de ser queimado com Parr na carruagem.
As únicas coisas que continuaram intocadas foram as máscaras de Ovelha e Lobo de Denji. Magga as pegou e segurou em suas mãos. Ela colocou a máscara de Ovelha sobre seus próprios olhos e escutou a voz do Lobo.
"Persiga a tal da Magga".
A donzela correu toda a distância para Riachoagulha, nunca olhando para trás.
A Arena Áurea estava lotada com um mar de olhos piscantes, todos fitando com entusiasmo a cortina de veludo. O rei sentou-se no teatro com a rainha e seus conselheiros, todos esperando ansiosamente o início da trama. Todos ficaram calados quando a cortina negra foi levantada para revelar os atores.
Magga sentou-se em um camarim silencioso sob o palco. Ela escutou a multidão ficar muda enquanto se estudava no espelho. O esplendor da juventude sumiu de seus olhos anos atrás e a deixou com uma longa mecha prateada em seus cabelos.
"Madame!" disse o assistente de palco. "Você ainda não está a caráter".
"Não, criança", Magga disse, "só me visto no último momento".
"Este é o último momento", disse o jovem assistente de palco, segurando as duas peças finais da fantasia de Magga: as mesmas máscaras de Ovelha e Lobo de seus dias com a Mecânicas de Orphellum.
"Que sua performance seja abençoada hoje à noite", o assistente disse.
Magga preparou-se para sair para o palco. Ela colocou as máscaras sobre sua cabeça. O antigo calafrio do monte sombrio correu sua espinha. Ela o acolheu –– como sempre.
Ela entreteve a platéia planando no palco, incorporando os movimentos graciosos da Ovelha. Ela encantou a multidão com sua versão da selvageria brincalhona do Lobo. Ela, como as mortes gêmeas personificadas, acabava com o sofrimento de seus colegas atores, ou arrancava de seus pescoços, ate que a plateia ficasse de pé e irrompesse em estrondosos aplausos.
Era verdade. Todas as plateias amavam uma boa morte e amavam a de Magga mais que qualquer outra.
Até mesmo o rei e a rainha estavam de pé para louvar seu trabalho.
Porém, Magga não ouviu aplausos ou viu ovações. Ela não sentiu o palco sob seus pés, nem as mãos de seus companheiros de profissão quando estavam fazendo as reverências. Tudo o que ela sentia era uma dor aguda em seu peito.
Quando Magga olhou para a plateia, cada rosto era o de uma ovelha ou de um lobo.

domingo, 13 de setembro de 2015

O "Bonzinho"

Quando você ouve pela enésima vez aquele papo de que "bonzinho só se fode" ou "as mulheres só querem saber dos canalhas", tudo o que dá vontade de fazer é suspirar fundo, dar um tapinha nas costas do infeliz e pedir outro chopp sem ter que nem começar a explicar por que isso é uma grande baboseira
Mas pode ser que o cara seja um amigo seu ou você esteja num dia benevolente, então você tenta.
Um bom ponto de partida é um livro chamado "Virtudes do Medo", do Gavin De Becker.

"Nós temos que aprender e ensinar às nossas crianças que gentileza não é igual a bondade. Gentileza é uma decisão, uma estratégia de interação social; não é um traço de caráter. Pessoas controladoras quase sempre apresentam a imagem de uma pessoa gentil no começo. (...) Gentileza não-solicitada frequentemente tem um motivo secundário."


Um cara bonzinho não é um cara bacana. Um homem bonzinho não é um homem bom. Isso aí vale para homens e mulheres, mas em geral são os homens que reclamam mais desse suposto fenômeno.
O bonzinho não sabe, nem intui, que tratar as mulheres como rainhas-princesas-deusas é quase tão objetificante quanto tratá-las feito um pedaço de carne. Ele ainda acha que as mulheres são seres de Vênus e que deve reverenciá-las, e nunca as trata como seres pensantes e iguais.
O bonzinho ainda cai na lenga-lenga do "friendzone". Quem fica ofendidinho por ser amigo de uma mulher e acha que sexo é o contrário de amizade está longe de ser bonzinho.
O bonzinho costuma se surpreender se todas aquelas contas do restaurante, todas aquelas portas abertas, os rapapés, as noites escutando os problemas dela, todo esse "sacrifício" que ele fez "porque eu sou legal", não são pagos em dobro com um par de pernas abertas e amor eterno.
Claro que nem passa pela cabeça do bonzinho ser honesto e dizer a que veio. Ele espera que a mulher adivinhe que as gentilezas dele são uma abertura romântica, e acha que quando ela as aceita está automaticamente se endividando com ele. No final, tem tanta raiva embaixo do tapete que mal consegue esconder sua misoginia latente quando diz que "essas piranhas só querem saber dos canalhas".
O bonzinho é uma pessoa emocionalmente instável que está procurando validação o tempo inteiro. Ele não tem seus próprios amigos, interesses e atividades preferidas. Parece que está sempre cantando aquela música do "por onde for quero ser seu par".
Por não saber expressar seus limites, o bonzinho acaba atraindo e se relacionando com mulheres também manipuladoras que se aproveitam dele, o que acaba por reforçar essa visão de mundo maniqueísta e estreita. Ele ainda não entendeu: não é que todas as mulheres sejam vacas, só as que aturam ele.
Pensando bem, se você tiver a oportunidade de explicar tudo isso para um bonzinho, por favor, explique. Respire fundo, peça outro chopp, e seja bem didático. A sociedade agradece.
Em um momento de fraqueza e solidão, ela vai entregar os pontos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Uma conversa qualquer...

?- Olhe as folhas e as flores no chão... amo essa sensação de que o tempo está passando.
R- O seu tempo também está passando...
?- ...?
R- Sua vida passa, com ou seu você...
?- ...
R- A pergunta é... você é a protagonista?

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

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Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

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Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder.
Você está nu.
Não há razão para não seguir seu coração.

domingo, 6 de setembro de 2015

Uma visão diferente sobre a solidão

O pior sentimento de solidão que existe, é aquele que vem da alma. Podemos estar rodeados de pessoas, família, filhos, companheiro e amigos, mas mesmo assim nos sentimos solitários.

Muitas pessoas, vivem relacionamentos desgastantes, frustrantes ou destrutivos. Outras se humilham e se submetem diante de um companheiro, e perdem-se de si mesmas. Há aquelas que terminam um relacionamento e já entram em outro, de forma compulsiva. Algumas, tem um relacionamento estável, mas precisam sempre ter um outro alguém para se relacionar paralelamente. Várias outras, "fazem de conta" que são felizes em seu relacionamento.

Por que as pessoas se sujeitam a isso? Para alguns, vale qualquer coisa ou sacrifício, só para não sentirem a dor esmagadora da solidão.

Existem também pessoas que, após algumas tentativas fracassadas em relacionamentos, desistem de se relacionarem e tornam-se solitárias. Apesar da dor inicial, depois de certo tempo se "anestesiam" inconscientemente, de forma a não sentirem mais dor. O perigo aqui, é que a pessoa acredita que está muito bem sozinha. Neste caso, a dor da solidão existe, mas é muito menor. Esta pessoa acredita que quando tem um companheiro, vive com medo de perdê-lo e, para ela, viver o tormento do medo da perda e da provável solidão, é muito pior.

Seria muito adequado uma pessoa viver sozinha, por qualquer período que fosse, pois quando aprendemos que podemos viver sozinhos, sem necessitar a presença de um companheiro, podemos finalmente perder o medo, e passamos a nos relacionar de forma mais saudável, simplesmente pelo desejo de ter alguém ao nosso lado e não mais pela necessidade e dependência de ter o amor do outro. Esta seria uma excelente experiência. Mas nem todos conseguem isto.

Então, vou apontar um bom recurso, para aliviar da dor da solidão. É o caminho "para dentro de si". As pessoas que se sujeitam a viver relacionamentos infelizes, normalmente fazem isso, pelo temor de não serem desejadas, amadas e aceitas em sua totalidade e, assim, serem rejeitadas. Pelo medo da rejeição e por não sentirem-se seguras, aceitam essa triste condição.

No caso de uma pessoa temer ser rejeitada e abandonada, e viver na solidão, a primeira pergunta que deve se fazer é: onde e como eu mesma me rejeito e me abandono? O que há de tão ruim em mim, que faz com que eu mesma não me aceite, e que me faz acreditar que não serei aceita pelo outro?

Bem, este é o início de uma busca interna. É justamente porque as pessoas não se aceitam em sua totalidade, que se submetem a viver com "qualquer tipo de pessoa", em qualquer tipo de relação.

Para uma pessoa conseguir se aceitar, ela precisará conhecer mais sua realidade interna. Nesta realidade, ela encontrará tudo o que há de mais sublime e iluminado, mas também encontrará aspectos de sua negatividade e destrutividade, os quais abomina. É por causa destes aspectos, que inconscientemente a pessoa sabe que tem, que ela mesma não se aprova.

É somente na tomada da autoconsciência, descobrindo quem é de verdade - em sua Luz e em sua sombra - que a pessoa poderá começar a se amar.

Mas o maior temor, inconsciente, para maioria das pessoas, é entrar em contato com sua própria negatividade.

Porém, espiritualmente falando, não existe o "certo e o errado", o "bom e o ruim". Na verdade, em essência, tudo é Luz. Todos os nossos aspectos negativos, são virtudes, são aspectos positivos, que entraram em desequilíbrio e se negativaram. Nossa sombra pode ser entendida como parte de nossa Luz, que se "esqueceu" que era Luz, e se negativou. Com este olhar, podemos compreender que, quando constatamos algo negativo em nós e o aceitamos, e apenas desejamos superá-lo, sem lutar contra e sem a necessidade de eliminá-lo, ocorre como uma "reconversão",   do negativo para o positivo. Digamos que "a sombra se reconverte em Luz, sua verdadeira essência".

Aos olhos espirituais, isso tudo é muito belo e divino, faz parte da existência humana. Se Somos Todos Um, é porque somos iguais, em Luz e Sombra. Não há porque alguém sentir-se inferior aos outros, só por conter aspectos destrutivos dentro de si.

Se as pessoas mergulharem em si mesmas para uma busca profunda, encontrarão suas verdades. Se aceitarem tudo o que encontrarem, em sua totalidade, sem auto-rejeição, com certeza começarão a se gostar mais, sua auto-estima se elevará, o auto-respeito acontecerá. Com isto, uma pessoa assim, que se aceita e se aprova, não mais se sujeitará a estar presa em um relacionamento deprimente, só para não ficar sozinha.

Ao se conhecer melhor, a pessoa aprenderá a relacionar-se consigo mesma de forma mais saudável e a ter prazer nisso. Somente quando conseguimos esta relação, primeiro conosco, é que estamos muito mais prontos para um relacionamento com o outro.

Certa vez, li em um livro, em que ele dizia que existe uma diferença entre solitude e solidão. "A solidão é a ausência do outro, a solitude é a presença de si mesmo".

Então, viva sua solitude, aprenda a se aprovar, se apreciar, se aceitar. Com certeza, descobrirá o ser humano especial que você é. Quando uma pessoa se gosta, ela acredita que os demais também gostarão dela e, assim, não teme ser rejeitada.

Mas, caso alguém a rejeite, ela aceitará e não ficará em busca de migalhas, pois poderá compreender e aceitar que, por algum motivo, essa determinada pessoa, não a aprecia e aprova plenamente. Desta forma, poderá se abrir, para que outra pessoa, que a respeite e a aceite em sua totalidade, chegue em sua vida.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Os verdadeiros Heróis

Segundo o dicionário, herói é o homem notável por suas qualidades extraordinárias.
Em todas as épocas, a Humanidade elegeu e aclamou heróis.
Entre eles, contam-se governantes iluminados pelo amor ao seu país e ao seu povo.
Também se enumeram filósofos e pensadores de grande talento.
Líderes de resistência contra governos despóticos e cientistas dedicados, igualmente figuram no panteão dos heróis.
Esses homens sempre foram considerados modelos a serem seguidos, por suas excepcionais virtudes.
Atualmente, a Humanidade vive uma fase de turbulenta transição.
Antigos padrões de comportamento são revistos.
Valores consolidados são questionados ou rejeitados, sem muita análise.
O relevante parece ser ousar e inovar, ainda que sem grande critério.
A liberdade é valorizada ao extremo, embora não haja preocupação com a responsabilidade, sua natural contraparte.
Nesse contexto de valores ambíguos, carentes de reflexão e consolidação, surgem novos padrões de conduta.
Personagens exóticas são facilmente alçadas à condição de heróis.
Os passos dessas figuras inquietas são seguidos pela mídia.
Uma multidão fascinada e irrefletida os observa com êxtase e comenta e copia suas palavras e atos.
O novo panteão de heróis é formado por um grupo de criaturas de origem e personalidades variadas.
Há participantes de shows que pretendem imitar a realidade da vida.
Inexplicavelmente, intrigas e brigas que promovem em recinto fechado, mas mostrado pela televisão, os endeusam perante o imaginário popular.
Expectadores ávidos de baixezas acompanham o desempenho desses ídolos.
Há também artistas muito belos, mas desequilibrados, pelos quais as massas se apaixonam.
Muitos deles se deixam fotografar e filmar em cenas despudoradas.
De outro lado, não faltam atletas regiamente remunerados, mas com padrão de comportamento pouco elogiável.
Os novos heróis produzem escândalos, iniciam e terminam relações afetivas com rapidez vertiginosa.
Mas a multidão os acompanha, subjugada por sua juventude, seu brilho, sua beleza e sua arrogância.
Entretanto, o que há de nobre e aprazível no comportamento de tais pessoas?
Uma ligeira reflexão permite concluir que o heroísmo não se expressa mediante comportamentos exóticos.
O genuíno herói há de ser alguém que contribui para a construção de um mundo melhor.
Nessa linha, há inúmeros heróis anônimos, cujo comportamento merece ser admirado e copiado.
Por exemplo, o jovem que diz não às drogas e à promiscuidade.
O estudante atento a seus deveres e que não cola, mesmo tendo oportunidade.
O filho que cuida dos pais idosos ou enfermos.
O professor que leciona com dedicação e competência, mesmo quando mal remunerado.
Os pais que gastam tempo orientando seus filhos, a fim de que não se percam nas ilusões do mundo.
O empresário honesto, que não sonega tributos e nem lesa seus clientes.
Onde quer que haja alguém preocupado em ser honesto e solidário, em construir um Mundo melhor, aí se tem um herói.
Ao eleger seus ídolos e modelos, pense nisso...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

....

"Existem coisas piores que estar sozinho, mas geralmente leva décadas para entender isso e quase sempre quando você entende é tarde demais. E não há nada pior que tarde demais..."

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Psicólogo

— Você sabe quem você é? 
— Não, eu não sei. 
— Desde quando? 
— Desde que me perguntei quem eu sou.
— Você tem uma crise existencial. 
— Não saber quem eu sou me faz ser quem eu não sou?
 — Certamente sim. 
— E como eu posso saber quem eu me tornei não sendo eu? 
— Um estranho pra si mesmo, você se criou. E é você quem tem que se descobrir. 
— E se eu me descobrir e acabar percebendo que eu não sou quem eu gostaria de ser? 
— E quem você quer ser? 
— Um estranho para mim mesmo.
 — Você já é. 
— Então eu não tenho uma crise existencial se eu já sou quem gostaria de ser. 
— Você é feliz sendo quem você é? 
— Seria se eu não fosse tão complicado. A minha felicidade vem em pequenas doses, não consigo me embriagar dela por muito tempo. 
— E como você se sente agora? 
— Nem triste, nem feliz. Apenas um vazio que me permite tê-lo em si todos os sentimentos do mundo, mas nenhum consegue preenchê-lo por completo. 
— Quando foi a última vez que você sentiu que era feliz?
 Minutos antes de perceber que eu sou a felicidade das pessoas, mas elas não são a minha. 
— Não se sente feliz vendo alguém feliz por você? 
— Sinto pena. Pois sem perceber eu a estou enganando. Mas continuo me mostrando feliz, só para não magoá-la. Parece que eu retenho a tristeza das pessoas para mim, e quando elas vão embora, sou eu quem fica semeando o que roubei delas. 
— Então você sente uma certa compaixão pelas pessoas, você não está tão vazio assim. 
— Eu não estou vazio, são os meus sentimentos que estão pequenos. 
— Do que você tem medo? 
— De quase tudo, tenho até medo de sentir medo.
 — Qual o maior dos teus medos? 
— A morte. 
— Por que? 
— Porque a ideia de ser imortal me apavora, e a ideia de morrer eternamente me desespera. 
— Você acredita em vida após a morte? 
— Acredito em morte após a vida. 
— Se você morresse hoje, do que se orgulharia? 
— De nunca ter estado vivo. 
— Qual o seu sonho? 
— Domar meus fantasmas. Aceitar a vida como ela é. Entender o sentido da morte, e porque ela é tão cruel. Saber quem eu sou, do que gosto e de quem gosto. E por que amar é tão necessário se sempre é tão sofrido. Por que estamos vivos? Qual a função da nossa existência se somos tão individuais. Por que eu gosto tanto das pessoas, e ao mesmo tempo, me prejudico tanto... Gosto de sofrer por benefícios alheios? Por que a tristeza está sempre pronta para me acolher? Por que o céu é tão infinito e nós somos tão limitados? Ele não foi feito para nós? Mas e você, sabe quem você é? 
— Não, eu também não sei

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Canto de Guerra Espartano

"É belo que o homem bravo, combatendo por sua pátria, tombe na primeira fila; mas o que deserta da sua cidade e dos campos férteis e vai mendigar, errando com sua querida mãe, seu velho pai e seus filhos, é o mais miserável dos homens...
Nós corajosamente, combatemos por esta terra, morremos por nossos filhos, não poupamos a nossa vida. Ó jovens, combatei, unidos uns aos outros, não temais senão a vergonha da fuga, estimulai no vosso coração uma valente e sólida coragem, e não vos inquieteis com a vida lutando contra o inimigo.
Não abandoneis os velhos guerreiros cujos joelhos já nao são ágeis. É vergonhoso que um homem velho, tombado na primeira fila, caído, diante dos moços com sua cabeça branca, a sua barba branca, morra corajosamente na poeira, com o corpo esfolado...
Mas aquele que conserva a bela flor da sua juventude, vivendo, é admirado pelos homens e pelas mulheres, e, também, quando tomba com bravura na primeira linha. Que cada um marche, pois, para o combate com o pé firme, mordendo os lábios."

quarta-feira, 22 de julho de 2015

“I admit,
I was afraid
to love.
Not just love,
but to love her.

For she was a stunning mystery.
She carried things
deep inside her that no one
has yet to understand,and I,
I was afraid to fail,
like the others.

She was the ocean
and I was just a boy
who loved the waves
but was completely
terrified to
swim”

terça-feira, 14 de julho de 2015

Fui ali, mas ja voltei.

Daqui de longe, de onde agora estou
Dá pra ver como me sinto e como realmente sou
Se ver no outro é fácil. Se ver de fora é que louco
Por isso, vez ou outra é bom se perder um pouco
Pra ver não só o que sou, mas o que ainda quero ser
Sair de si sempre vale pra se sentir e se entender
Sim, me perdi de mim. Fui ali, mas já voltei.

domingo, 5 de julho de 2015

Pain*

"Oh, derrame uma lágrima pela perda da inocência
Pelos espíritos abandonados que sofrem em nós
Chore pelo coração que se entrega à dor
Pela solidão desses deixados pra trás

Contemple a dor e a tristeza do mundo
Sonhe com um lugar longe deste pesadelo
Nos dê amor e união sob o coração da noite
Oh, morte, venha pra perto de nós e nos dê vida"

....

"...Behind the shadow of life the lost hopes are grieving
I seek the night and hope to find love
So I drown in the silence of lifes short eternity
The tears fills the void in my heart astray..."

domingo, 28 de junho de 2015

Você

"De todas as coisas que você me deu, a melhor delas certamente foi a chance de escolher, escolher você, escolher ficar contigo e atravessar com algum alívio os dias que eu quero simplesmente morrer pra não ser intimado a depor sobre o meu sumiço. Você me ensinou muitas coisas, a melhor delas, me ensinou que o amor verdadeiro sempre espera um pouco mais pelos abraços atrasados...."

Uma breve reflexão.

Bem tentarei escrever algumas coisas básicas que eu descobri.
Primeiro descobri que a gente sempre está aprendendo, nunca para, mesmo que vc não queira vc irá aprender, assim como eu.
Não acredito naquela frase "Os opostos se atraem" porque sempre uma parte irá ceder muito e se adaptar demais e sempre esta será a parte mais insatisfeita.
Acredito mais em quem tem interesses em comum...
Se voce adora dançar forró, melhor namorar quem gosta de forrosar (rs), se vc gosta da Cultura Italiana procure alguém que também goste.
Frequentar lugares que vc realmente gosta ajuda a encontrar pessoas com interesses igual aos teus.
O extrovertido e a caretona anti-social, é complicado, depois entra naquela questão de um querer mudar o outro, Ui... !
Pessoas mudam porque querem e porque querem. E pronto. E demora...
Química é fundamental, graças a Santa ciência foi comprovada que ela existe, imaginem o garanhão insaciável e donzela sensível , acho meio estranho. Isto causa muitas frustrações. e dá-lhe livros de auto ajuda. Assim como outras coisas cada um tem seu perfil sexual.
Cheiro, fantasias, beijos, manias, quanto mais sintonia melhor.
As vezes não conseguimos dar 100% de nós para nós mesmo, como podemos cobrar 100% do outro ? e não temos essa coisa completa.
as vezes ela é fiel, mas não é boa de cama...
as vezes ela é carinhosa, mas não é fiel...
as vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador...
as vezes ele é malhado, mas não é sensível...
Nós não conseguimos ter tudo ao mesmo tempo.
Perceba qual Aspecto que é mais importante para vc e invista nele.
Acho que o Beijo é importante...
se o beijo bate... se joga...
se não bate... Mais um Martini, por favor... e vai dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, Não ligue, Não dê Pití.
Se a pessoa tá com duvidas, problema dela, cabe a vc esperar ou não.
Existente gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.
Ele titubeia, tem dúvidas, medos. Mas se a pessoa realmente gostar, ela volta. Nada de Drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, dinheiro, gravidez, pressões familiares e psicológicas ou por pura falta de opção ?
O legal é alguém estar com vc por vc. e vice-versa.
Não fique com alguém por dó também ou por medo da Solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando vc acorda, a primeira impressão é sua, seu olhar, seu pensamento. A verdade é relativa, assim a sua maior verdade pode ser pra mim, minha maior mentira e vice-versa.
Tem gente que arruma namorada antes mesmo de terminar com a atual, fica pulando de um romance para o outro...
Que medo é esse de se ver só, na sua própria companhia ?
Gostar doí. Faz parte. Vc namora um outro ser, um outro Mundo, um Outro Universo.
E nem sempre as coisas saem do jeito que vc quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com esse papo, corra, afinal vc não é terapeuta.
Se não quer se envolver, Namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no Amor não temos garantias....

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Uma outra você.





Ela tinha a blusa daquela mesma estampa que a tua, a camiseta debaixo tinha a mesma cor e a bolsa era no lado direito também. De longe apenas as roupas me lembraram você, mas ao ver caminhar na minha frente me peguei analisando cada passo, que por incrível que pareça me lembraram os seus. Ela tinha o teu jeito de colocar as mãos no bolso e olhar para o nada e ao mesmo tempo olhar para tudo. E quando me viu ali  observando, reparei que ela tinha os teus olhos. Talvez agora as coisas fiquem mais exageradas, afinal é noite, a música tá calminha e sempre dá saudade. Mas posso aproveitar para dizer que a boca dela tinha o formato da sua e a cor da pele de vocês é a mesma. Não sei se cada um tem um jeito certo de se recostar em paredes, mas o jeito como ela entortou as costas aposto que é exatamente da forma como você faz. Até a virada de pescoço quando me viu mais uma vez olhando parecia que tinha um toque seu. A não ser pelos centímetros a mais, e o cabelo mais curto, meu coração poderia ter parado ali mesmo. 
Mas aí passa um amigo dela, e quando ela abre a boca parece que colocaram tua gravação para tocar. A sua voz sai por aquela boca que parece a sua, e soa como se fosse você voltando. Um adeus e até semana que vem. Você tá vindo semana que vem? Juro que te ouvi dizer. O jeito dos pés baterem impacientes acompanham teu ritmo, o tênis também é o mesmo, diga-se de passagem. Quem sabe até o mesmo número. Talvez seja o seu perfume que invada o ar quando ela passa, mas confesso que já não me lembro. Lembrar de cheiros não é meu forte (faço questão de esquecê-los), e há tanta gente que talvez nem seja dela. Aposto que a música que sai por aquele fone sempre pendurado, igual ao teu, é a mesma dessa sua playlist. Talvez ela guarde alguns rabiscos na última folha do caderno, e tenha lá livros difíceis na estante de casa. Ou nem goste de ler, e seja só essa aparência física que me lembra você por inteira. Mas é bom fantasiar, talvez tenha te encontrado perdida por aqui. 
Mais uma vez me pego querendo mergulhar naqueles olhos só para ver se o mar deles dá no teu oceano. Ouvir ela rir e relembrar daquela vez que eu falei besteira e você acabou rindo por horas. Vê-la sorrir e sentir a alegria que me invadia sempre que sorria. Me aproximar e sentir o coração batendo forte, as pernas bambearem e as mãos ficarem gélidas do mesmo modo que você fazia. Beijar aqueles lábios que desenham os teus e sentir de novo o teu gosto. E ficar horas olhando-a, só pra deixar a imaginação fluir e te desenhar aqui de novo. Só mais esses minutinhos, já ela se vai. Ele sempre vai mais cedo mesmo. Então só mais uma vez vou deixar que as memórias venham e corroam-me, fazendo com que cada célula do teu corpo se materialize nesse menina que apareceu como que já premeditado para me lembrar você. Uma última olhada para ter certeza se o jeito que ela ajeitou a bolsa foi do mesmo modo que você. Foi. Agora ela tá coçando o braço, que tem o formato dos teus. Será que tem seu abraço escondido ali também? (Ei, moça, deixa eu te abraçar só para testar uma coisinha? É rápido, juro.)
Os minutos passam e ela se vai. Fico ali parado pensando em todas aquelas vezes que ela me viu olhando, talvez já me ache louco. E talvez eu realmente seja. Mas minha loucura não é dela, é sua. Porque você me faz fantasiar pessoas, como já diz alguns amigos, virei um caçador de você em todos os lugares. Te procuro em cada pessoa, no mercado, bar, faculdade e esquinas. Hoje encontrei. Encontrei tuas roupas, teus sapatos, tua boca e voz. Só falta o coração, mas esse é apenas teu mesmo. Espero que ainda bata numa nota minha de vez em quando. Baixinho, no meio da noite, que ele cante aquela canção que lembra de mim só para que não esqueças. Porque eu não esqueço. A vida faz questão de me enviar você de inúmeras maneiras, mas dessa vez foi golpe baixo. Numa noite de carência é bem capaz de eu perguntar para ela se ela lembra daquele filme que a gente assistiu. Vai saber, ela é tão você. O destino me traz você, quem sabe um dia me leve também. 

sábado, 30 de maio de 2015

só mais um.

Eu escolhi você...
Mesmo sabendo que eu nunca seria uma opção.
Você não se tornou de forma alguma um erro do passado/presente,
E sim uma dádiva a ser lembrada por todo o meu futuro.
Nenhum segundo  foi um erro...
Isso mudou minha vida!
Os momentos passam.
Mas o que aprendemos com eles, tornasse eternos.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

o velho no espelho



Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus,... Parece...
Meu velho pai!
Como pode ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, Pai! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa?! Eu sou, ainda,
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

o fim...

Este é o mais longe que eu irei
Nunca mais serei a mesma pessoa
Horríveis encantos me atraiam
No dia em que corria para a vida novamente

Se eu ganhar desta vez
Ainda vai ser o meu fim
Minha crença é de que nada acaba bem
Este é o fim para mim

Dia e noite meu coração esteve pesado
Desejos destruídos, sorrisos congelados
Eu continuo, meu coração bombeando lágrimas
Dia e noite eu andei sozinho

Ossos apodrecendo na terra
Como os seus segredos
Que há muito tempo tem escondido de mim
Mas o sangue pesa mais que o silêncio

Palavras destruídas, fragmentos em sua boca
Corte mais profundo do que qualquer ferida
Laços quebrados nunca serão os mesmos
Mentiras são como a picada de uma víbora