terça-feira, 15 de março de 2011

vida em alguns segundos.

Terrível. A rigidez que se apodera de nós perante a adversidade, o medo, a apatia provocada pelo desconhecido. Muitas vezes o empurrão quase mortal obriga ao salto, à corrida, à prova obrigatória que não queríamos inicialmente traçar, mas que nos foi imposta pela necessidade de sobrevivência. Por vezes questiono-me se vale a pena esta batalha inconsequente em que me meto todos os dias, sujeito a levar um tiro no meio do peito ou pior ainda, no rabo. Todo o santo dia é dia de dificuldade, de constantes avanços e recuos, de dúvidas, de corridas loucas sem direcção, nas quais raramente fico bem classificado. Nem sei porque não paro e desisto. Mas para que é que continuo nesta parvalheira desenfreada que nunca me leva a lado nenhum? Não digo que morresse, mas mudava de identidade, e começava tudo de novo, com ganas, como se tivesse 18, como se fosse o centro do mundo, onde ninguém me conhece, quando ninguém me pudesse parar. As cidades grandes têm essa vantagem, de começar quantas vezes queres, onde queres, onde tens a vantagem de chegar a lugares onde já estiveste, mas que ninguém te reconhece. Podes ser quem quiseres, vestires o que gostares, vaguear, mudar, sentir o vento da liberdade. Ou não? Será ilusão? Poderei antes viver num meio pequeno, onde trabalhe para o povo, em pequenas tarefas, que sejam o suficiente para sobreviver pelo vinho, pelo pão, pelos dias um a um, devagar. O que mais custa, é dizer aos pais que queremos ser únicos e diferentes, e mudar tudo num segundo, por um segundo, por mim e por ti, por nós, pelo mundo, pela vontade de gritar e de sentir a água fresca sempre que nos apetecer. Eles nunca aceitam e ficam apavorados com o nosso fracasso, com a nossa irracionalidade, com o desrespeito dos costumes e regras. Nem sei bem o que fazer, mas apetecia-me mudar tudo, baralhar e dar de novo, sem pensar em consequências ou na vida. Mudar pelo amor ao risco, à paixão de mudar, dar o peito às balas, e no fim, viver a vida num segundo…




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