Cada vez que o sofrimento esbarra o nosso caminho, pergutamos porque somos seres capazes de investigar o sentido das coisas...
Nossa capacidade cognitiva, o que nis difere de todas as outras criaturas é que nos dá condições de refletir sobre o que nos aflge.
Refletir sobre o sofrimento é essencialmente refletir sobre os limites, isto porque tudo que nos limita, de alguma forma, nos expõe a um contexto e angústias, ansiedades e questionamentos.
É o nosso específico humano querendo descobrir o sentido do que se passa em nossa vida. Ao tocar a dura realidade dos sofrimentos, ao formular esta pergunta-chave, ao investigar o porque, agente acaba encontrando uma multiplicidade de respostas, ou não...
Sofremos porque não podemoes tudo o que queremos. Sofremos porque temos um corpo que está condicionado aos limites de sua estrutura e possibilidades. Sofremos porque somos afetados constantemente por situações que nos desinstalam e nos entristecem. Sofremos porque não conseguimos embarcar a totalidade dos fatos, ou porque nem sempre podemos compreendê-los.
Sofremos porque não encontramos as respostas que necessitamos, ou porque nos deparamos com respostas que nos assustam.
Sofremos porque não somos capazes e fazer tudo sozinhos; somos dependentes dos outros e, por mais que queiramos, não teremos como dar conta de tudo sem que os outros interfiram. Sofremos porque carecemos, porque somos incompletos, porque somos inacabados.
Sofremos porque nem sempre podemos mudar a ordem das coisas, a sequencia dos acontecimentos. Sofremos porque não sabemos dizer não. Sofremos porque não sabemos dizer sim. Sofremos porque dissemos sim em ocasiões em que deveríamos ter dito não. Sofremos porque dissemos não em ocasiões que deveríamos ter dito sim.
Sofremos porque nos apegamos aos outros, e por vezes os afastamentos são inevitáveis. Sofremos porque nos traímos, nos abandonamos. Sofremos porque somos INJUSTAMENTE JULGADOS, ofendidos, caluniados. Sofremos porque experimentamos a morte em sua porção diária. Sofremos porque vemos violência ao nosso lado e em nós. Enfim, sofremos por uma infinidade de coisas e não temos como mudar o fato de sermos naturalmente afetados pelos desajustes da vida...Tudo bem, mas se não podemos evitar o sofrimento, o que podemos fazer para aprender a lidar com isso...?
Como sofrer...? É diante dessa pergunta que procuramos buscar um novo caminho. Se não temos como mudar a vida, então precisamos descobrir um jeito de sermos transformados por ela.
Se eu não posso mudar o fato de ter que sofrer, então posso encontrar um modo de como sofrer. É mais uma vez uma proposta de mudança de foco...muitos sofrimentos que nos atingem são otimizados por nossa maneira de lidar com eles. A matéria que nos faz sofrer nem sempre é tão grave. O problema é a forma de lidarmos com ela. O revestimentos que damos aos nossos problemas torna-se maior do que o próprio problema.
Muito facilmente fazemos tempestade em copos e água, porque nos falta sabedoria na lida com os acontecimentos que estimulam os nossos limites. Mesmo que seja natural, o sofrimento ainda é enfrentado como se fosse um inimigo.
É claro que não queremos sofrer. A resposta humana diante dos desafios da vida é sempre de proteção. O ser humano vive para proteger-se dos limites que tem, mas não podemos fugir desta verdade - eles são parte integrante de nossa condição e não podemos mudar isso.
Mas, diante de tudo o que não podemos, há sempre o que podemos aprender e compreender. Talvez seja este o movimento possível diante da dor. Encontrar nela uma resposta, ainda que silenciosa, que nos sugira e proporcione um aprendizado.
A sabedoria nos ensina que diante de uma vida que sofre, as perguntas podem parecer inoportunas. Uma atitude vale muito mais. Apressamo-nos muit em fazer perguntas no momento da dor. Por que isso nos aconteceu? Por que estamos passando por isso? Por que pessoas boas sofrem tanto?
O grande risco é que nossa multiplicidade de perguntas não permita o nascimento de sabedorias, afinal, a sabedoria costuma acontecer somente apartir da experiência da contemplação.
Temos aprendido, a duras penas, que o bom da vida não está em chegar às respostas, mas sim em aprender a conviver com as perguntas. Nem sempre nos tornamos aliados desta forma de sabedoria;
Insistimos muito em querer respostas, e com isso perdemos a mística das boas perguntas. Há perguntas que podem nos alimentar de maneira positiva durante uma vida inteira.
Nem sempre as respostas possuem este poder, pois caem no esquecimento com muita facilidade. As perguntas não! Elas duram o tempo da busca. E há buscas que não sabem no tempo. Elas possuem o dom de nos alimentar por toda nossa história.
São perguntas que nos seguram na dinâmica da vida. Não são perguntas que se alimentam de respostas, mas perguntas que se alimentam de esperanças! Elas se tranformam em motivos, que podem ser sempre novos, porque um motivo vai alimentando outro.
Às vezes encontramos histórias de homens e mulheres refugiados em seus eremitérios, lugares reservados à solidão, distantes das exigências da vida contemporânea. Pessoas que abandonaram o mundo e sua fabricação de respostas rápidas, transitórias, para se refugiarem com suas perguntas silenciosas.
Eles não querem respostas rápidas, produzidas em série. Eles querem as perguntas que se transformam em motivos. Eles querem as perguntas artesanais, aquelas que são contruídas aos poucos, na calma que nutre a sabedoria.
Eles não temem o que ainda não sabem, mas descobrem neste lugar da vida a beleza da contemplação. O não saber não é uma prisão, ao contrário, é uma fonte de liberdade.
A diferença está na forma como olham para o que ainda não sabem. Ao invés de se alimentarem de desejos de responder, eles mergulham na pergunta que merece calma e nelas permanecem. Eles descobrem a mística do questionamento ansiedade de chegar à resposta. Descobrem no processo do não saber um jeito bonito de permanecerem.
Muitos sofrimentos nascem de nossa incapacidade de permanecermos na pergunta. O grande problema é quando a insistência da pergunta nos incapacita para descobrir a resposta. É neste momento que corremos o risco de mergulhar numa modalidade de sofrimento que é ansolutamente infértil...
300 dias...
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