- A verdade é que não ha nada a acrescentar aqui então...: a morte, por si só, é uma piada pronta.
- Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada,está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre.
- Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco do que?
- Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
- De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste.
- Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
- Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas , mulheres e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
- Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok.... Hora de descansar em paz.
- Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
- Por isso viva tudo que há para viver. Não se apegue as coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe....sempre!!
Hello darkness, my old friend, I've come to talk with you again, Because a vision softly creeping, Left its seeds while I was sleeping, And the vision that was planted in my brain Still remains Within the sound of silence.
segunda-feira, 22 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
A Morte Devagar....
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Aonde Eu Repouse Minha Cabeça
Eu tenho meu coração dentro dos sapatos[1]
Eu sentei e ateei fogo no rio Tamisa[2]
Agora eu tenho que descer
Ela está rindo de dentro da manga da camisa
Caras, eu posso sentir em meus ossos.
Oh mas em qualquer lugar, qualquer lugar aonde eu deite minha cabeça
Eu vou chamar de casa.
| Bem, eu vejo que o mundo está de cabeça pra baixo | |
| Parece que os meus bolsos foram enchidos de ouro | |
| E as nuvens cobriram tudo. |
Bem, eu não preciso de ninguém mais
| Por que aprendi, eu aprendi a ficar sozinho. E eu digo: | |
eu repouse minha cabeça...
Eu vou, enfim, estar em casa.
[1]- expressão para: "estou com muito medo"
[2]- fazer algo grandioso; Tamisa (Thames) é um rio da Inglaterra - quer dizer, o cara coloca fogo num rio.
terça-feira, 9 de março de 2010
Eu espero não me apaixonar por você
Porque me apaixonar só me deixa triste,
Bem, a música toca e você
me mostra o seu coração,
Eu tomo uma cerveja e agora eu ouço
você me chamando
E eu espero não me apaixonar por você
Bem, a sala está lotada, pessoas em todos os cantos
E eu me pergunto, devo oferecer-lhe uma cadeira?
Bem, se você sentar-se com este velho palhaço,
desamarre a cara,
Antes da noite acabar,
eu acho que a gente poderia fazer isso,
E eu espero não me apaixonar por você.
Bem, a noite faz coisas engraçadas dentro de um homem
Esse velho Tom tem sentimentos que você não entende,
Bem, eu me viro para olhar pra você,
você acende um cigarro,
Eu queria ter coragem de pedir um,
mas nós nunca nos conhecemos,
E eu espero não me apaixonar por você.
Eu posso ver que você é solitária
como eu, e está ficando tarde,
Você gostaria de uma compania?
Bem, eu me viro para olhar pra você,
e você me olha de volta,
O cara que está com você tem altos e baixos,
a cadeira do seu lado está vazia,
E eu espero que você não se apaixone por mim.
Agora é hora de fechar, a música está parando
Última chamada para os drinks,
vou tomar outra cerveja preta.
Bem, eu me viro para olhar pra você,
você não está aqui para ser achada,
Eu procuro pelo lugar o seu rosto perdido,
acho que vou tomar outra rodada
E eu acho que acabei de me apaixonar pro você.
-Adam
segunda-feira, 8 de março de 2010
Lembre-se Quando
Lembra-se quando eu era jovem e assim era você
E tempo ficava parado e amor era tudo que nós conhecíamos
Você foi o primeira, assim era eu
Nós fizemos amor e então você chorou
Lembre- se quando
Se lembre quando nós juramos os votos
E caminhamos o passeio
demos nossos corações, fizemos o começo, era duro
Nós vivemos e aprendemos, e a vida lançou curvas
Havia alegria, havia dor
Lembre-se quando
Lembre-se quando os velhos morreram e os novos nasceram
E vida foi mudada, desmontou, rearranjou
Nós viemos juntos, ficamos separados
E quebramos o coração um do outro
Lembre-se quando
Lembre-se quando o som de pequenos pés
Era a música
Nós dançamos de semana a semana
Trouxemos o amor, nós achamos confiança
Nós juramos nunca desistir
Lembre-se quando
Se lembre quando trinta parecia tão velho
Agora olhando atrás, isso é só uma pegada na pedra
Para onde nós estamos,
Onde nós fomos
dissemos nós faríamos tudo novamente
Lembre-se quando
Lembre-se quando nós dissemos nós viramos cinza
Quando as crianças crescem e se mudam
Nós não estaremos tristes, nós estaremos alegre
Por toda a vida tivemos nós
E nós nos lembraremos quando...
sábado, 6 de março de 2010
Bate num frenético ritmo
E não são nem sete da manhã
Você está sentindo a súbita chegada
da angústia se acomodando
Você não pode fazer nada além de deixá-los entrar
Apresse-se então
Ou você ficará para trás e
eles controlarão você
E você precisa curar
A ferida atrás de seus olhos
Palavras instáveis enchendo sua mente
Então
Durma, querida, deixe seus sonhos fluírem,
Como ondas de doce fogo, em que você está segura internamente
Durma, querida, deixe suas torrentes virem subitamente,
e a levarem para uma nova manhã
Tente como você puder
Você tenta desistir
Parece estar resistindo rapidamente
Mão na sua mão
Uma sombra sobre você
Alguém que pede por almas no seu rosto
Ainda não importa
Se você não ouvirá
Se você não os deixará seguí-la
Você apenas precisa curar
Fazer suas mentiras boas
Siga em frente e não olhe para trás
Dia após dia
Visões instáveis
Mexendo com sua cabeça
Instáveis, viciantes
Dormindo na sua cama
Mexendo com sua cabeça
Visões instáveis
Instáves, viciantes
terça-feira, 2 de março de 2010
Reciclagem Part 1
Nossa capacidade cognitiva, o que nos difere de todas as outras criaturas é que nos dá condições de refletir sobre o que nos aflge.
Refletir sobre o sofrimento é essencialmente refletir sobre os limites, isto porque tudo que nos limita, de alguma forma, nos expõe a um contexto e angústias, ansiedades e questionamentos.
É o nosso específico humano querendo descobrir o sentido do que se passa em nossa vida. Ao tocar a dura realidade dos sofrimentos, ao formular esta pergunta-chave, ao investigar o porque, a gente acaba encontrando uma multiplicidade de respostas, ou não...
Sofremos porque não podemos tudo o que queremos. Sofremos porque temos um corpo que está condicionado aos limites de sua estrutura e possibilidades. Sofremos porque somos afetados constantemente por situações que nos desinstalam e nos entristecem. Sofremos porque não conseguimos embarcar a totalidade dos fatos, ou porque nem sempre podemos compreendê-los.
Sofremos porque não encontramos as respostas que necessitamos, ou porque nos deparamos com respostas que nos assustam.
Sofremos porque não somos capazes e fazer tudo sozinhos; somos dependentes dos outros e, por mais que queiramos, não teremos como dar conta de tudo sem que os outros interfiram. Sofremos porque carecemos, porque somos incompletos, porque somos inacabados.
Sofremos porque nem sempre podemos mudar a ordem das coisas, a sequencia dos acontecimentos. Sofremos porque não sabemos dizer não. Sofremos porque não sabemos dizer sim. Sofremos porque dissemos sim em ocasiões em que deveríamos ter dito não. Sofremos porque dissemos não em ocasiões que deveríamos ter dito sim.
Sofremos porque nos apegamos aos outros, e por vezes os afastamentos são inevitáveis. Sofremos porque nos traímos, nos abandonamos. Sofremos porque somos INJUSTAMENTE JULGADOS, ofendidos, caluniados. Sofremos porque experimentamos a morte em sua porção diária. Sofremos porque vemos violência ao nosso lado e em nós. Enfim, sofremos por uma infinidade de coisas e não temos como mudar o fato de sermos naturalmente afetados pelos desajustes da vida...Tudo bem, mas se não podemos evitar o sofrimento, o que podemos fazer para aprender a lidar com isso...?
Como sofrer...? É diante dessa pergunta que procuramos buscar um novo caminho. Se não temos como mudar a vida, então precisamos descobrir um jeito de sermos transformados por ela.
Se eu não posso mudar o fato de ter que sofrer, então posso encontrar um modo de como sofrer. É mais uma vez uma proposta de mudança de foco...muitos sofrimentos que nos atingem são otimizados por nossa maneira de lidar com eles. A matéria que nos faz sofrer nem sempre é tão grave. O problema é a forma de lidarmos com ela. O revestimento que damos aos nossos problemas torna-se maior do que o próprio problema.
Muito facilmente fazemos tempestade em copo d'água, porque nos falta sabedoria para lidar com os acontecimentos que estimulam os nossos limites. Mesmo que seja natural, o sofrimento ainda é enfrentado como se fosse um inimigo.
É claro que não queremos sofrer. A resposta humana diante dos desafios da vida é sempre de proteção. O ser humano vive para proteger-se dos limites que tem, mas não podemos fugir desta verdade - eles são parte integrante de nossa condição e não podemos mudar isso.
Mas, diante de tudo o que não podemos, há sempre o que podemos aprender e compreender. Talvez seja este o movimento possível diante da dor. Encontrar nela uma resposta, ainda que silenciosa, que nos sugira e proporcione um aprendizado.
A sabedoria nos ensina que diante de uma vida que sofre, as perguntas podem parecer inoportunas. Uma atitude vale muito mais. Apressamo-nos muito em fazer perguntas no momento da dor. Por que isso nos aconteceu? Por que estamos passando por isso? Por que pessoas boas sofrem tanto?
O grande risco é que nossa multiplicidade de perguntas não permita o nascimento de sabedorias, afinal, a sabedoria costuma acontecer somente apartir da experiência da contemplação.
Temos aprendido, a duras penas, que o bom da vida não está em chegar às respostas, mas sim em aprender a conviver com as perguntas. Nem sempre nos tornamos aliados desta forma de sabedoria;
Insistimos muito em querer respostas, e com isso perdemos a mística das boas perguntas. Há perguntas que podem nos alimentar de maneira positiva durante uma vida inteira.
Nem sempre as respostas possuem este poder, pois caem no esquecimento com muita facilidade. As perguntas não! Elas duram o tempo da busca. E há buscas que não sabem no tempo. Elas possuem o dom de nos alimentar por toda nossa história.
São perguntas que nos seguram na dinâmica da vida. Não são perguntas que se alimentam de respostas, mas perguntas que se alimentam de esperanças! Elas se tranformam em motivos, que podem ser sempre novos, porque um motivo vai alimentando outro.
Às vezes encontramos histórias de homens e mulheres refugiados em seus eremitérios, lugares reservados à solidão, distantes das exigências da vida contemporânea. Pessoas que abandonaram o mundo e sua fabricação de respostas rápidas, transitórias, para se refugiarem com suas perguntas silenciosas.
Eles não querem respostas rápidas, produzidas em série. Eles querem as perguntas que se transformam em motivos. Eles querem as perguntas artesanais, aquelas que são construídas aos poucos, na calma que nutre a sabedoria.
Eles não temem o que ainda não sabem, mas descobrem neste lugar da vida a beleza da contemplação. O não saber não é uma prisão, ao contrário, é uma fonte de liberdade.
A diferença está na forma como olham para o que ainda não sabem. Ao invés de se alimentarem de desejos de responder, eles mergulham na pergunta que merece calma e nelas permanecem. Eles descobrem a mística do questionamento, não na ansiedade de chegar à resposta. Descobrem no processo do não saber, um jeito bonito de permanecerem.
Muitos sofrimentos nascem de nossa incapacidade de permanecermos na pergunta. O grande problema é quando a insistência da pergunta nos incapacita para descobrir a resposta. É neste momento que corremos o risco de mergulhar numa modalidade de sofrimento que é absolutamente infértil...