quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Quando o infinito se parte...


Tem coisa que a gente sente antes mesmo de entender.
Hoje foi assim. Fiquei sabendo que o 3I/ATLAS se partiu — e não sei explicar, mas alguma coisa aqui dentro partiu junto.

É estranho como certos símbolos grudam na gente. Um cometa distante, atravessando o infinito, vira metáfora de tudo que a gente tenta manter inteiro por dentro. E quando ele racha… parece que nasce um silêncio. Daqueles que a gente respeita, porque dói, mas também revela.

Não é exatamente tristeza. É como se fosse aquele instante entre o fim de uma música e o começo da próxima. Um intervalo. Uma dobra do tempo onde a gente percebe que algumas coisas não seguem do jeito que a gente imaginou.

Talvez eu esteja fazendo luto de um símbolo — e tudo bem. Às vezes o que cai do céu não é só pedra e poeira; é também a parte de nós que estava projetada ali, viajando junto, acreditando junto.

Mas eu gosto de pensar que nada realmente termina. Que quando um cometa se rompe, ele não desaparece: ele se multiplica. Vira fragmento, reflexo, rastro de luz.
Vira caminho novo.

E talvez seja isso que eu esteja sentindo:
o começo de algo que ainda não sei nomear, mas que, de algum jeito, continua atravessando o infinito dentro de mim.

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