À noite, estendo a mão como quem já esqueceu o peso do próprio corpo.
Os dedos se abrem contra o céu, tateando o escuro, e por um instante acredito que o inalcançável possa ceder. Há uma estrela — sempre a mesma — que pulsa diferente das outras. Ela não brilha como promessa; brilha como lembrança. Tem cheiro de casa, som de porta fechando devagar, sensação de pertencimento que não sei explicar. Todas as noites eu a procuro, como quem retorna a um endereço antigo que talvez nem exista mais.
Mas o céu não responde.
Ele apenas observa.
Nas noites em que não durmo, o tempo se dissolve. O relógio perde a autoridade e o silêncio cresce, espesso, ocupando tudo. Não é um silêncio vazio — é um silêncio que fala demais. Ele enumera ausências, repete pensamentos, ecoa perguntas que não ouso fazer em voz alta. É nesse silêncio que a estrela parece mais próxima e, ao mesmo tempo, mais distante.
Fecho a mão.
Não por desistência, mas por cansaço.
O gesto não captura a estrela, nunca capturou. O que ele prende é só o ar frio, a frustração antiga, a certeza de que algumas coisas existem apenas para serem buscadas. Talvez seja esse o acordo: olhar, desejar, seguir tentando, mesmo sabendo.
O céu permanece intacto.
A estrela, intocável.
E eu sigo aqui, entre o alcance e a perda, aprendendo que nem toda casa é um lugar — algumas são apenas um ponto fixo no escuro, algo que nos mantém acordados, vivos, e silenciosamente em movimento.

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