O conflito entre as pessoas diminuiria consideravelmente se elas fossem
praticantes da empatia. Mas, lamentavelmente, esse atributo não está ao
alcance de todos.
Empatia é uma competência emocional que possibilita enxergar o outro
sob a ótica do outro, sentindo como ele se sente, pensando como ele
pensa, se colocando inteiramente em seu lugar e compreendendo suas reais
motivações. Para que haja empatia, é preciso sensibilidade aguçada,
capacidade de ouvir, inteligência emocional desenvolvida e ausência de
egoísmo. É a visão a partir do referencial alheio e não do “EU”,
portanto, empatia e egoísmo não coexistem.
É comum uniões amorosas formadas por um empático e o outro não. Neste
caso, um tende a ficar sempre reclamando do distanciamento do parceiro
se sentindo pouco amado, enquanto o outro não consegue entender o motivo
de tanta reclamação.
Quando essa situação ocorre, uma das opções do casal, para dar fim ao
conflito, é fazer uma espécie de pacto no qual um tenta ser mais atento
às necessidades daquele que reclama, e o outro se convence que lidará
melhor com jeito “largadão” do seu par.
Acordo nesses moldes até que são bem intencionados, mas, geralmente,
não têm sustentação a longo prazo. Aquele que se sente pouco acolhido
não consegue se resignar frente a falta de reciprocidade do outro,
caminha com sua emoção sempre à flor da pele, pronto para explodir a
qualquer momento, como uma bomba relógio.
Se relacionar com alguém sem empatia, incapaz de ficar feliz com a sua
felicidade ou sofrer com seus problemas, significa conviver com alguém
que será sempre, em algum grau, indiferente às suas dores. E pior, mesmo
que haja um esforço, dificilmente alcançará índices satisfatórios, pois
a verdadeira empatia é uma aptidão inata na qual o egoísmo cede
gentilmente o lugar ao altruísmo. Portanto, não basta querer, ou tem ou
não tem.
Um grande erro de quem convive com pessoas assim é tentar fazê-lo
perceber sua limitação afetiva, pois ele dificilmente apresentará uma
consciência maior que o permitirá essa autocrítica.
Não podemos deixar de citar aquelas pessoas com grandes dificuldades de
manifestar seus sentimentos, ou por timidez, ou por uma rígida
educação. Popularmente são chamados de “travados”. Estes, mesmo em
silêncio, podem apresentar grande nível de empatia e por vezes sofrem
muito por não conseguirem se comunicar melhor. Já aqueles que não a
sente de verdade, costumam tentar se passar por alguém acanhado no
intuito de justificar sua frieza emocional fruto da falta de empatia.
Mas essa diferença não passa despercebida pelo parceiro amoroso, que
consegue apreender, uma hora ou outra, quem é um quem é outro.
Se relacionar com quem não estabelece um vínculo emocional empático é
dolorido, desgastante e um assassinato da autoestima em câmera lenta.
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