domingo, 4 de março de 2018

Achados e perdidos [2]

O Silêncio e eu...
Eu prezo o silêncio, o mudo onde se encontra a respiração, o passar das folhas preenchidas de um mundo diferente, o tilintar de duas taças de vinho acompanhada de dois sorrisos sacanas e o silêncio, o breve ressonar entre o primeiro beijo e as roupas serem atiradas em qualquer direção. Prezo-o como a mãe que alimenta pela primeira vez a cria, como o soldado que retorna da batalha mutilado, mas ainda tem o prazer de ver o límpido sorriso de um pequeno de cinco anos e meio. Seria ousado ao ponto de arriscar que a felicidade encontra-se com a música pausada, com a boca fechada e a língua travada, gesto de sobrancelha num tom de sarcasmo delicado, agradecer com olhos sorrisos, o apertar das mãos e correr os dedos através da costas, o gosto do oposto antes de engolir o coração, e faz esperar a batida para começar a quebra de começar, respira…expira… e esquecendo-se de começar e a perder e parar. Eu sou o silêncio em etapas burocráticas, eu governo o som que não ouço como um dia o maestro regeu sua fiel orquestra e sou quem cala por fora o turbilhão entorpecente dentro da caixa lacrada do meu ser, sou o espaço em branco entre as notas. Eu amo o silêncio pois ele e o nada se encontrão em algumas escalas graves de sinônimos, e o ninguém junta-se formando um trio. Eu já não sou nada, não pertenço a ninguém além do silêncio vazio que me ecoa.

30/12/2017

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