quinta-feira, 5 de setembro de 2013

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De repente, sinto que estou triste.
Triste pelo que sou,
Triste por tudo que não fui.
Mas, não me aborrece...
Essa tristeza, que vem e que flui através
Do cinza-azulado da fumaça do charuto,
Projetada no teto mal pintado do meu quarto.
O silêncio amigo que habita minha casa
Divide comigo o frio da noite,
Que também se vai.
Penso em voltar, penso em partir,
Em estar contigo,
Em dividir essa tristeza
A dois…
Que grita dentro de mim,
Dentro do meu quarto quieto,
Frio, de ar viciado,
De teto mal pintado.
Vejo as marcas incertas do pincel,
Como a arranharem
Também dentro de mim
A saudade do que era
E a ansiedade do que será..
Fecho os olhos,
molhados...
E penso num poema que faria,
Se meus olhos molhados
Não estivessem cansados,
Fechados,
Tentando esquecer
Essa tristeza...

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